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Motorista de app: Projeto propõe ganho mínimo de R$ 8,50 e limita taxa das empresas

Relatório de Augusto Coutinho propõe ganho mínimo de R$ 8,50 por corrida e limita taxa das empresas a 30%. Votação deve ocorrer na próxima terça.

Por JC Publicado em 10/12/2025 às 18:40

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*Com informações do Estadão Conteúdo

O deputado federal Augusto Coutinho (Republicanos-PE) apresentou, nesta quarta-feira (10), o relatório do projeto de lei que regulamenta o trabalho de motoristas e entregadores de aplicativos.

O texto, que deve ser votado na próxima terça-feira na comissão especial da Câmara, propõe a criação da figura do "trabalhador plataformizado". O modelo formaliza a atividade, mas sem estabelecer vínculo empregatício (CLT) com as empresas.

Entre as principais mudanças está a definição de um ganho mínimo. Pela proposta, o motorista terá direito a receber R$ 8,50 por corrida em trajetos de até dois quilômetros.

Para entregadores, esse valor mínimo valerá para distâncias de até três quilômetros (carro) e quatro quilômetros (moto, bicicleta ou a pé).

Limite para taxas das empresas

O relatório também estipula um teto para a retenção de valores pelas plataformas, como Uber, 99 e iFood. As empresas não poderão cobrar uma taxa superior a 30% do valor pago pelo usuário.

O texto oferece ainda outras opções de tarifação, como uma taxa mensal fixa ou um modelo híbrido (taxa fixa + percentual de até 15%).

Outro ponto importante é a proibição de exclusividade. As plataformas não poderão exigir que os trabalhadores atuem apenas em um aplicativo, nem impor jornadas mínimas. O tempo máximo de trabalho diário será limitado a 12 horas.

Previdência Social

O projeto obriga a contribuição para a Previdência Social. Para os trabalhadores, haverá uma alíquota única de 5% sobre o salário de contribuição.

Já as empresas deverão contribuir com 20% sobre a parcela remuneratória do trabalhador, além de 2% para cobertura de acidentes. Plataformas que optarem pela taxa máxima de retenção (30%) pagarão uma alíquota maior ao INSS (23%).

Reação das empresas e realidade local

A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia, que representa os aplicativos, criticou duramente a proposta. A entidade alegou que o texto é "trágico" e pode dobrar o custo de entrega, encarecendo produtos como lanches em até 30%.

O deputado Augusto Coutinho defendeu o texto, argumentando que buscou equilíbrio entre a sustentabilidade do negócio e a renda do trabalhador, citando as desigualdades regionais.

"Os R$ 10 de São Paulo e de Brasília não são os mesmos R$ 10 de Recife, que é pobre, não são os mesmos R$ 10 de Belém. Se a gente sobrecarrega e sobe muito, o trabalhador é que vai pagar essa conta", afirmou o parlamentar pernambucano.

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