Pernambuco volta ao mapa da Ferrovia Transnordestina com lançamento de edital para retomada das obras
A expectativa do governo Federal é que o trecho Salgueiro-Suape, que começou a ter obras licitadas nesta sexta (31), seja concluído em 2030
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Depois de 3 anos fora do traçado principal da Ferrovia Transnordestina, Pernambuco volta, de fato, ao mapa do projeto. O governo federal lançou, nesta sexta-feira (31), o edital para retomada das obras do primeiro trecho que ligará o Sertão ao litoral, marcando um passo concreto na reconstrução da conexão ferroviária entre Salgueiro e o Porto de Suape.
Durante o governo Jair Bolsonaro, o trecho pernambucano foi retirado do planejamento original da ferrovia, que passou a ter como destino final o Porto de Pecém, no Ceará. Com a volta de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, o Estado foi reincorporado ao traçado, atendendo a uma antiga reivindicação de Pernambuco e devolvendo ao projeto seu caráter integrador e estratégico para o desenvolvimento regional.
O anúncio do novo edital foi feito em cerimônia em Brasília, que reuniu o ministro dos Transportes, Renan Filho, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, a governadora Raquel Lyra e o prefeito do Recife, João Campos, além de prefeitos e parlamentares da bancada federal pernambucana.
A licitação prevê a elaboração do projeto executivo de engenharia e a execução das obras remanescentes de infraestrutura e obras de arte especiais do Lote SPS 04, entre os quilômetros 178,9 e 252,2, incluindo 500 metros do lote adjacente (SPS 03). O trecho soma 73,3 quilômetros e atravessa os municípios de Custódia, Sertânia, Buíque e Arcoverde, no Sertão.
Com valor referencial de R$ 415 milhões e prazo contratual de 57 meses, o edital prevê a geração de cerca de 6 mil empregos diretos e indiretos, fortalecendo a economia local e regional.
Segundo o ministro Renan Filho, o edital marca “um compromisso do governo do presidente Lula com o desenvolvimento do Estado de Pernambuco”. Ele explicou que a expectativa é concluir a licitação ainda no primeiro trimestre de 2025, para que as obras comecem nos primeiros meses do ano.
“A gente espera, nos próximos dois ou três meses, concluir a licitação para dar a ordem de serviço no início do ano que vem. O bom é que a obra seja entregue em quatro anos. Essa é a meta”, afirmou à Rádio Jornal.
O ministro detalhou que o trecho lançado é o primeiro de uma nova fase da ferrovia. “Nós lançamos esses 73 km hoje, os primeiros, e vamos lançar mais dois lotes de 53 km nos meses iniciais do ano que vem. Com isso, teremos aproximadamente 179 km já em obra, do pouco mais de 300 km que faltam para chegar de Custódia até o Porto de Suape.”
Decisão política
Renan Filho destacou ainda que a retomada do projeto tem valor simbólico e político para o Estado. “O presidente Lula tomou uma decisão fundamental. O governo passado tirou Pernambuco da estratégia de desenvolvimento do Nordeste. Essa obra ficou quatro, cinco anos parada. Agora, o Estado volta a ser parte da principal estratégia de infraestrutura e crescimento regional.”
A importância da articulação para manter o trecho do Estado também foi destacada pela governadora. “Quando chegamos ao Governo, o trecho de Pernambuco da Transnordestina tinha sido retirado do contrato com a empresa privada. Mas nós fomos para a luta, numa grande mobilização da sociedade de Pernambuco, colocando esse tema como uma prioridade do nosso Estado. Agradeço ao presidente Lula e ao ministro Renan, vamos continuar trabalhando para que essa obra seja retomada o mais rápido possível e, virando realidade, que a gente consiga fazer a conclusão até o Porto de Suape”, disse Raquel Lyra.
Recuperar o atraso
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, também celebrou o lançamento do edital e reforçou o impacto da decisão. “É uma alegria muito grande poder, ao lado do presidente Lula e do ministro Renan Filho, anunciar o edital de licitação para o início da Transnordestina. É uma obra tão estratégica para o desenvolvimento do nosso Estado”, afirmou à Rádio Jornal.
Silvio Costa Filho ressaltou que Pernambuco perdeu seis anos de avanços no projeto durante os governos anteriores, mas que o cenário agora é de reconstrução e entrega. O governo Temer e o governo Bolsonaro não tiveram nenhum compromisso com Pernambuco. O Estado perdeu seis anos sem essa obra avançar. Quis o destino que o presidente Lula voltasse para tirar a Transnordestina do papel e entregá-la ao povo de Pernambuco.”
Investimentos no trecho
O ministro detalhou que o primeiro trecho terá investimento de R$ 415 milhões, e que até março do próximo ano devem ser lançados mais dois lotes, totalizando cerca de R$ 1,5 bilhão em obras.
“Essas obras vão gerar mais de 6 mil empregos para o povo de Pernambuco. E mais do que isso: é uma obra estratégica que vai ligar o Sertão do nosso Estado ao Porto de Suape. Vamos movimentar o gesso do Araripe, a fruticultura do São Francisco e a piscicultura do Sertão de Itaparica.”
Ele destacou que a chegada da ferrovia a Suape mais que dobrará a capacidade de operações do porto, ampliando o potencial logístico e econômico de Pernambuco. “Quando a Transnordestina estiver pronta, nós vamos mais que dobrar a capacidade de operações do Porto de Suape, gerando emprego, renda e movimentando a economia do nosso Estado.”
Silvio Costa Filho encerrou agradecendo ao presidente Lula pela decisão política de retomar as obras. “É um dia muito especial para todos nós. Quero, como pernambucano, agradecer ao presidente por estar tirando efetivamente essa obra do papel.”
Integração logística
De acordo com o Ministério dos Transportes, o segmento é essencial para consolidar o corredor logístico do Nordeste, reduzindo custos de transporte, fortalecendo cadeias produtivas e ampliando a competitividade regional. O projeto integra o Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e foi classificado como prioridade máxima pelo Governo Federal.
A concorrência será realizada na modalidade RLE eletrônica, conforme a Lei nº 13.303/2016, com modo de disputa fechado e critério de julgamento pelo menor preço global. O regime de execução semi-integrado busca maior integração entre a elaboração do projeto e a execução das obras, com transferência parcial de riscos ao contratado. Poderão participar consórcios de até três empresas, incluindo companhias estrangeiras com representação legal no Brasil.