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SP-Arte Rotas busca diversidade regional e amplia diálogos da arte brasileira

Iniciativa irmã da SP-Arte nasceu com maior atenção às rotas do Nordeste, Centro-Oeste e Norte, priorizando dinâmicas de novidades e pesquisa

Por Emannuel Bento Publicado em 29/08/2025 às 17:28

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São Paulo, como capital global, recebe constantemente fluxos de informação vindos de fora, ao mesmo tempo em que devolve ao mundo o que acontece dentro da própria cidade. No campo das artes visuais, não poderia ser diferente.

Mas pensando em um país de dimensões continentais, surgiu a SP-Arte Rotas, uma "feira irmã" da tradicional SP-Arte, realizada em abril. Criada como um espaço de "reajuste de rota", como define a diretora Fernanda Feitoza, a feira acontece no espaço Arca, em São Paulo, entre os dias 27 e 31 de agosto.

DENISE ANDRADE/DIVULGAÇÃO
Fernanda Feitosa, idealizadora e diretora da SP-Arte - DENISE ANDRADE/DIVULGAÇÃO

"É um desdobramento da SP-Arte, porém com um desejo de aprofundar o programa da feira na arte brasileira, um pouco mais direcionada para rotas do Nordeste, Centro-Oeste e Norte. O Brasil é formado por diversas camadas de culturas e influências”, explica a diretora em entrevista ao JC.

"Convidamos o público a uma pausa para uma apreciação da arte em um compasso mais calmo. A SP-Arte é uma feira grandiosa, de padrão internacional, enquanto a Rotas é menor, voltada ao Brasil, convidando as pessoas a um tempo, uma dinâmica diferente de feira. É uma conversa diferente, com uma dedicação maior, é quase um mergulho. Eu diria que é uma feira de pesquisa."

Participação pernambucana

SP ARTE/DIVULGAÇÃO
Estande da galeria Marco Zero na quarta edição da SP-Arte Rotas - SP ARTE/DIVULGAÇÃO

O Recife marcou presença com as galerias Amparo 60, Garrido e Marco Zero, além da Oficina Brennand.

"Trabalhamos com a Amparo há muitos anos na SP-Arte tradicional. No Rotas, a Marco Zero vem trazendo um frescor. Eu não conhecia o Montez Magno na dimensão em que ele é, e essa galeria trouxe um destaque para a produção dele no ano passado. Depois, sua obra foi para a Pinacoteca."

"É muito importante que essas visões existam, assim como temos galerias de São Luís do Maranhão. São visões e produções que sofrem influências do local. A luz de Pernambuco, por exemplo, está refletida em sua pintura. Então, é realmente um presente. Tem até um teor educativo para todos nós", continua.

Além das presenças consolidadas, Fernanda lembra que a feira também abre espaço para reencontros e descobertas. "Exemplifico com a Galeria MT Projetc, que traz dois artistas do Centro-Oeste: Gervani de Paula, de Cuiabá, que esteve na Bienal de São Paulo recentemente, e o Humberto Espíndola, do Mato Grosso, que esteve na Bienal há 50 anos e, desde então, suas obras não eram vistas.'

Nordeste

O Nordeste esteve bem representado com a Cave e a Leonardo Leal Galeria, ambas de Fortaleza, ampliando os olhares sobre a produção cearense. De Maceió, a Karandash apresentou artistas que transitam entre a arte popular e a contemporânea.

Já a Lima Galeria, de São Luís, destacou artistas do Maranhão, enquanto a tradicional Paulo Darzé Galeria, de Salvador, reforçou sua trajetória de mais de 40 anos no cenário da arte contemporânea brasileira.

Outro ponto interessante foi o projeto Novos Para Nós, do paulista Renan Quevedo , que já percorreu mais de 200 mil quilômetros em busca de artistas populares de diversas regiões do Brasil. Na Rotas, única feira em que o projeto participa, foi apresentada a mostra “O Popular é Pop”, reunindo mestres pernambucanos como Mestre Cunha, Vitalino, Manuel Eudócio, J. Borges e Samico.

“São artistas que trazem muito desse humor característico do Estado. As obras pulsam cromaticamente, com formas e cores que vão falar muito da identidade pernambucana”, comenta Quevedo .

Olhar curatorial

SP ARTE/DIVULGAÇÃO
Estande da galeria Flexa na quarta edição da SP-Arte Rotas - SP ARTE/DIVULGAÇÃO
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Estande da galeria Marcelo Guarnieri na quarta edição da SP-Arte Rotas - SP ARTE/DIVULGAÇÃO

Pelo segundo ano consecutivo, a direção artística da feira é assinada por Rodrigo Moura, curador do Malba (Buenos Aires). Ele também é responsável pelo setor Mirante, que reúne artistas de diferentes gerações e pesquisas — pinturas, esculturas e instalações, sobretudo em grande escala.

Instalado no coração da feira, o Mirante funciona como um disparador de reflexões, ampliando diálogos sobre as múltiplas identidades brasileiras e reforçando a vocação da SP-Arte Rotas como espaço de experimentação, pesquisa e encontro.

* O repórter viajou à convite da SP-Arte Rotas

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