Lembra do Caldeirão? Conheça o legado da casa de shows que fez o pagode ferver no Recife
Gerações que viveram o período se reencontram no evento "De Volta ao Caldeirão", com Gustavo Lins, Art Popular e Sassarico, neste sábado (30)

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Na década de 2000, a Rua Igarassu, localizada por trás de um supermercado em Casa Forte, na Zona Norte do Recife, era o ponto de encontro dos amantes do samba e do pagode.
Foi lá que funcionou a casa de shows Caldeirão, espaço que marcou uma geração não apenas de ouvintes, mas também de músicos e produtores que seguem até hoje dedicados a um gênero que sempre teve presença forte na "capital do frevo".
Neste sábado (30), muitos dos que viveram aquele período se reencontram no evento "De Volta ao Caldeirão", realizado no Mirante do Paço, no Bairro do Recife, com shows de Gustavo Lins, Art Popular e Sassarico.
O início do Caldeirão
O Caldeirão surgiu como uma casa de shows de samba e pagode no bairro de Casa Forte, inicialmente funcionando aos domingos em um espaço chamado Oitão Bar, na Estrada do Encanamento.
Posteriormente, mudou-se para a Rua Igarassu, onde se consolidou e ficou mais conhecido.
Entre os nomes pernambucanos frequentes estavam bandas como Sassarico, Padang, Sem Razão, Clima Tropical, Tipo Talento, além das swingueiras Excesso de Bagagem e Marreta e o Planeta.
Crescimento e grandes shows
A marca se expandiu e passou a realizar também shows de aniversário, recebendo nomes consagrados do samba, como Exaltasamba, Jorge Aragão, Fundo de Quintal, Sorriso Maroto, Art Popular e Gustavo Lins.
Para esses eventos maiores, eram alugados espaços de maior porte, como o Clube Português, no Recife, e o pavilhão do Centro de Convenções, em Olinda.
"O Caldeirão, junto com as calouradas da Universidade Católica de Pernambuco, marcou o início da minha trajetória como produtor. O samba acabou marcando a minha vida, pois tive outra casa de pagode chamada Barcanaê, aos sábados, em Boa Viagem”, relembra Augusto Acioli, produtor da Festa Cheia e responsável pela casa ao lado de Felipe Carreras.
"A partir do Caldeirão, trouxemos muitos artistas nacionais para cá, fomentando esse mercado do samba. Criamos um programa de rádio do mesmo nome que só tocava pagode, pois era uma maneira eficiente de divulgar os shows nos anos 1990 e 2000", continua.
Impacto na cena local
A Banda Sassarico surgiu nesse contexto, em 1996, e se apresentou no Caldeirão desde os primórdios. "O Caldeirão deu uma respirada na cena do samba porque tinha uma data fixa toda semana, ajudando na movimentação. Acho que essa casa foi ponto crucial para alavancar a banda", afirma Zé Rinho, vocalista, instrumentista e fundador do grupo.
"Recife sempre foi um bom polo para o samba, mas acredito que o Caldeirão conseguiu agregar o samba ao pagode, pois existia essa fronteira. O Sassarico conseguiu misturar bem isso e o público absorveu. Já naquela época fazíamos muitos covers de músicas que não eram originalmente samba, como sucessos de Reginaldo Rossi ou Nando Cordel. Nesse meio-termo, era possível agradar diversas classes sociais e faixas etárias", completa o músico.
Ele também lembra da movimentação do público: "Existia fila para entrar aos domingos. Além de ingressos, tinha o modelo de nome na lista. A faixa etária girava em torno dos 20 a 30 anos. Existia um bar na frente chamado Veleiro, que montava uma barraca de caipifruta. Quando chegávamos, muitas vezes como última atração, o espaço ainda estava lotado", recorda.
Legado de samba
Após cerca de 15 anos, o pagode dominical com bandas acabou deixando de acontecer, sobretudo por conta das outras demandas dos produtores da Festa Cheia, que hoje realizam eventos como o Olinda Beer e o próprio Samba Recife.
"A maioria dos espaços do Recife possui um tempo de vida útil. Além disso, vemos o próprio samba adormecer e depois voltar mais forte, como está ocorrendo hoje. O Brasil é um país muito diversificado em torno da música, então temos altos e baixos de outros ritmos. Mas o samba nunca morre", avalia Luiz Cláudio Espíndola, que foi parceiro na realização de alguns eventos do Caldeirão.
Para Augusto Acioli, o Recife sempre teve uma relação diferenciada com o gênero: "Eu diria que após o Rio de Janeiro e São Paulo, Recife é a cidade que mais consome samba. O Samba Recife é o maior festival de samba do País, com dois dias. Acredito que conseguimos fazer isso hoje porque lá atrás fizemos um trabalho de formiguinha que começou com o Caldeirão", diz o produtor.
Zé Carlos, do Sassarico, reforça que muitos contratantes do grupo atualmente têm ligação com a época da casa. "Um deles, fizemos o show do aniversário de 50 anos e depois nos 18 anos do filho dele. Ou seja, alcançando várias gerações. Hoje, tem muitas pessoas casadas, que não frequentam mais a noite, mas vão para o De Volta ao Caldeirão para lembrar o tempo", comenta.
SERVIÇO
De Volta ao Caldeirão, com Art Popular, Gustavo Lins e Sassarico
Onde: Mirante do Paço (Travessa do Amorim, 75, bairro do Recife)
Quando: 30 de agosto (sábado), a partir das 16h
Quanto: a partir de R$ 110,00
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