Primeira mulher a comandar maracatu está entre os novos Patrimônios Vivos de Pernambuco; confira lista
Secretaria de Cultura reconheceu mais dez mestres, mestras e grupos; o Estado passa a contar com 115 detentores do título, que prevê pensão vitalícia
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Pernambuco ganhou mais dez mestres, mestras e grupos reconhecidos como Patrimônios Vivos, anunciou a Secretaria de Cultura nesta semana. Com as novas inclusões, o Estado passa a contar com 115 detentores do título.
Entre os contemplados no último edital está a Mestra Joana, primeira mulher a comandar uma nação de maracatu de baque virado — a Nação Encanto do Pina — desde 2008.
Outra liderança feminina é Terezinha do Acordeon, pioneira entre as mulheres sanfoneiras. Ao longo da carreira, gravou dez discos e fundou o Bloco Sanfona do Povo.
Também integra a lista o Maestro Edson Rodrigues, responsável pela primeira formação da Banda Municipal do Recife, em 1958. Ele também tocou saxofone em coletâneas de frevo produzidas pela Fábrica de Discos Rozenblit, sob direção artística de nomes como Nelson Ferreira.
A lei
A Lei Estadual nº 12.196, de 2 de maio de 2002, criou a concessão do título de Patrimônio Vivo, prevendo o pagamento de uma pensão vitalícia a mestres e grupos culturais selecionados por edital público anual.
Como contrapartida, os contemplados devem participar de programas de ensino e transmissão de seus conhecimentos e técnicas, organizados pela Secretaria Estadual de Cultura.
Em dezembro de 2016, a Lei nº 15.944 ampliou de três para seis o número de bolsas anuais concedidas aos mestres, mestras e grupos da cultura popular pernambucana.
Conheça os novos Patrimônios Vivos de Pernambuco:
1. Boi Tira Teima
Criado em 1922, o grupo de Bumba Meu Boi é símbolo da cultura popular caruaruense. Liderado por Mestre Gerson e, posteriormente, por sua esposa Dona Lindaura e o filho Mestre Roberto Gercino, mantém viva a tradição centenária com ações educativas e socioculturais. Atua em festivais e escolas, com destaque para seus projetos formativos e o recente reconhecimento como Ponto de Cultura.
2. Dona Dá
Nascida no Recife em 1938, tornou-se figura central do Carnaval olindense. Recebeu o título de Cidadã Olindense por sua contribuição à folia e à cultura local. É símbolo da ligação afetiva e cultural entre as cidades-irmãs Recife e Olinda.
3. Dona Maria Viúva
Mestra do Maracatu Estrela da Tarde, fundado em seu terreiro em 1977. Sua vida é dedicada à preservação do maracatu de baque solto e à transmissão de saberes tradicionais através da oralidade e da vivência coletiva. Liderança respeitada, é referência viva da cultura afro-indígena pernambucana.
4. Mestra Mariquinha
Guardião do Samba de Coco, dança desde a infância. Após a morte dos primeiros mestres, tornou-se a principal liderança da manifestação em Tupanatinga. Com memória afiada e vasto repertório oral, ensina e inspira novas gerações, mesmo com saúde fragilizada.
5. Maestro Edson Rodrigues
Instrumentista e regente, é autor do clássico frevo "Duas Épocas" (1965). Fundador da Banda Municipal do Recife, foi homenageado no documentário Sete Corações. Professor, arranjador e incentivador de novos músicos, é uma das maiores referências do frevo pernambucano.
6. Maracatu Nação Raízes de Pai Adão
Fundado em 1998 por descendentes de Pai Adão no Terreiro Obá Ogunté, representa a fusão entre o maracatu e a religiosidade afro-brasileira. Mantém viva a tradição Yorubana há nove gerações, com forte atuação comunitária e sociocultural.
7. Mestra Joana Cavalcante
Primeira mulher a liderar uma Nação de Maracatu (Encanto do Pina). Fundadora do movimento feminista Baque Mulher, promove cultura, empoderamento e resistência por meio da arte. Atua nacional e internacionalmente com oficinas, apresentações e projetos sociais voltados à juventude e às mulheres negras.
8. Mestre Lourenço
Artesão da fibra da Cana Brava, aprendeu sozinho a confeccionar cestos e utensílios. É referência no artesanato pernambucano e fundador de técnicas que sustentam sua família há décadas. É Mestre Artesão desde 2013 e símbolo de resistência e criatividade.
9. Terezinha do Acordeon
Pioneira entre mulheres sanfoneiras, começou a tocar ainda na infância. Gravou dez discos, participou de turnês internacionais e fundou o Bloco Sanfona do Povo. Liderança no forró, atua também em projetos beneficentes e é maestrina da Orquestra Sanfônica de Pernambuco.
10. Xirumba Amorim
Fotógrafo, cronista e artista plástico, documenta há mais de 50 anos o cotidiano e as lutas sociais do povo nordestino. Com exposições nacionais e internacionais, sua obra é uma crônica visual da realidade brasileira. Mesmo enfrentando problemas de saúde, segue ativo e comprometido com a arte e a memória coletiva.