Empresário mata ex-companheira e tira a própria vida em condomínio no Recife
Crime foi registrado no Le Parc Boa Viagem, no bairro da Imbiribeira, na noite do domingo (22). Polícia Civil está investigado o caso
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Um novo caso de feminicídio foi registrado no Recife. Um empresário matou a ex-companheira e depois cometeu suicídio no condomínio Le Parc Boa Viagem, localizado no bairro da Imbiribeira, na noite do domingo (22).
O autor do feminicídio foi identificado como Silvio Souza Silva, de 48 anos. Segundo as informações iniciais da polícia, ele atirou na cabeça de Isabel Cristina Oliveira dos Santos, 22, no apartamento onde ela morava, por volta das 22h, e depois também atirou na própria cabeça.
O relacionamento do casal durou cerca de seis anos e foi marcado por desentendimentos, agressões físicas e ameaças. Tanto que Isabel solicitou uma medida protetiva de urgência contra o ex-companheiro.
Os corpos da vítima e do autor do feminicídio foram encontrados por parentes e pela filha do casal, de apenas 3 anos.
O caso está sendo investigado pela Polícia Civil.
Após o crime, a polícia encontrou um revólver, três munições calibre 38, sendo duas deflagradas e uma intacta, e três celulares. Tudo foi recolhido e encaminhado para perícia.
Além de dono de uma loja de esquadrias de alumínio e vidro, Silvio também era cantor e influenciador, com mais de 660 mil seguidores no Instagram. Ele usava o nome artístico de Dom Silver.
Isabel cursava o quarto período de medicina na Universidade Católica de Pernambuco.
Em nota, a instituição de ensino lamentou o feminicídio.
"A Unicap condena veementemente a violência de gênero, que continua a ceifar a vida de tantas mulheres em nosso país, e reafirma seu compromisso na luta por uma sociedade onde as mulheres sejam respeitadas em suas escolhas e decisões e possam viver em segurança, inclusive em seus próprios lares", disse um trecho.
VÍTIMA DENUNCIOU CRIMES À POLÍCIA
Isabel chegou a registrar boletins de ocorrência contra o ex-companheiro. Ela afirmou à polícia que sofreu ameaças de morte, por meio de mensagens no WhatsApp, no dia 12 de outubro de 2025. E que Silvio insistia para que o relacionamento fosse retomado.
Em 9 de novembro, ele arrombou a porta dos fundos do apartamento de Isabel, alegando que pagava o aluguel e tinha esse direito.
Já em 25 de janeiro deste ano, o empresário chegou a ser autuado em flagrante na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, mas pagou fiança e foi liberado. Na ocasião, Isabel não solicitou a medida protetiva de urgência.
Somente em 27 de fevereiro, com nova queixa de perseguição no contexto da violência doméstica/familiar, a vítima solicitou a medida protetiva.
CONDOMÍNIO SE PRONUNCIA
A administração do Le Parc Boa Viagem se pronunciou sobre o feminicídio por meio de nota pública divulgada nas redes sociais.
"A administração condominial informa que não teve, até a data dos fatos, qualquer conhecimento acerca da existência de medida protetiva, ação judicial ou procedimento que restringisse o acesso de qualquer dos envolvidos à referida unidade ou às dependências do condomínio", informou.
"Esclarece, ainda, que o controle de acesso às dependências do condomínio é realizado por meio de procedimento rigoroso, com cadastro prévio de moradores e pessoas autorizadas, não tendo sido recebido, em momento anterior ao ocorrido, qualquer solicitação de bloqueio de acesso, seja por parte dos envolvidos, de terceiros interessados ou de autoridades públicas", disse outro trecho.
"Ressalta-se que o Condomínio realiza periodicamente a atualização cadastral de moradores e pessoas autorizadas, sendo expressamente vedado o acesso de pessoas não cadastradas", completou.
CRESCE NÚMERO DE PEDIDOS POR PROTEÇÃO
De acordo com estatísticas do CNJ, a busca por medidas protetivas registrou alta. Em 2025, o indicador foi recorde, com quase 630 mil medidas concedidas, em comparação a 612 mil em 2024. O volume atual corresponde a mais do que o dobro do registrado em 2020 (287.427).
O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) permite que as vítimas de violência doméstica/familiar solicitem a medida protetiva pelo site tjpe.jus.br. O pedido será avaliado pelo juiz, com promessa de resposta em até 48 horas.
Antes, o requerimento precisava ser feito presencialmente em delegacias ou no Ministério Público.
Em 2025, a polícia somou 42.887 queixas de violência doméstica no Estado. O maior número de casos foi na capital: 7.038.