Barbearia em Jaboatão fecha definitivamente após chacina; dono relata desespero nas redes sociais
O barbeiro, que prestou depoimento nessa terça-feira (30), conseguiu se trancar no banheiro e sobreviveu porque ficou embaixo de alguns dos corpos
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Após a chacina que matou quatro homens e deixou outros três feridos na manhã dessa terça-feira (30), o proprietário da barbearia, onde ocorreu o crime, anunciou em suas redes sociais o fechamento do estabelecimento localizado na Vila Sotave, em Jaboatão dos Guararapes.
Na publicação, Geovane Soares relatou o desespero que viveu e afirmou que as cenas do crime jamais sairão de sua mente. "Que filme de terror. Meus amigos... Adeus, barbearia. Acabaram com meu mundo. Só corto o cabelo de gente do bem. Meus irmãos se foram no local que eu mais amava estar. Morreram em cima de mim", disse.
Em seguida, declarou que o estabelecimento estará definitivamente fechado. "Vou demolir! Não mereço isso. A cena nunca vai sair da mente, 31 tiros. Obrigado, meu Papai do Céu, pelo livramento. Não entendo por que o Senhor levou meus irmãozinhos. Guarda eles em um lugar bom, Jesus. Me ajuda, Senhor", publicou o barbeiro.
Homens chegaram em uma moto
De acordo com testemunhas, dois homens chegaram em uma moto e invadiram o estabelecimento, disparando vários tiros. Havia pelo menos 11 pessoas no local. O barbeiro conseguiu se trancar no banheiro e sobreviveu porque ficou embaixo de alguns dos corpos.
Os assassinos fugiram em bicicletas depois que a moto utilizada não funcionou devido a uma trava de segurança. Peritos coletaram digitais no veículo, que havia sido roubado minutos antes, segundo a polícia.
As vítimas fatais foram identificadas como Paulo Gabriel Xavier de Melo, 23 anos; Ian Batista da Silva Costa, 18; Ednaldo Sales da Silva Filho, 31; e Mykael Victor de Araújo Durval, 18. Os três feridos foram levados ao Hospital Dom Helder Câmara, no Cabo de Santo Agostinho, e uma quarta pessoa sofreu ferimentos leves por estilhaços.
O caso está sendo acompanhado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ainda não há antecedentes criminais conhecidos das vítimas, e uma linha de investigação, extraoficial, sugere que o ataque possa ter relação com um crime ocorrido dois dias antes em outra barbearia da região.