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Policiais são presos e viram réus por sequestro e morte no interior de Pernambuco

Investigação apontou quatro militares como os responsáveis pelo homicídio de Wilson Araújo Melo, de 30 anos, ocorrido em novembro deste ano

Por Raphael Guerra Publicado em 30/12/2025 às 9:54 | Atualizado em 30/12/2025 às 13:30

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Quatro policiais militares estão presos preventivamente acusados pelo sequestro e assassinato de um homem de 30 anos na zona rural do município de Limoeiro, no Agreste de Pernambuco. A Justiça já aceitou a denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) contra o grupo. 

O cabo Everson da Silva Barbosa, do 21º batalhão; o cabo Jonathan Gomes Souza, do 2º batalhão; o soldado Pedro de Moura Silva, do Bepi; e o soldado Lucas Cabral dos Santos, do 25º batalhão, se tornaram réus pelos crimes de homicídio qualificado (recurso que dificultou a defesa da vítima) e por sequestro e cárcere privado. 

A coluna Segurança teve acesso com exclusividade a detalhes da investigação. De acordo com a denúncia, Wilson Araújo Melo estava com a esposa e o filho num espetinho localizado no Distrito dos Mendes quando foi abordado e levado por três homens que usavam balaclavas e estavam um carro branco, na noite de 6 de novembro deste ano.

Testemunhas tiraram uma foto do veículo, mostrando a placa, o que ajudou na investigação. Na imagem também foi registrado o sapato de um dos autores do crime. Posteriormente, a investigação apontou que Lucas Cabral era o dono dele. 

O corpo da vítima, com marcas de tiros, foi encontrado pouco depois nas proximidades do município de João Alfredo, também no Agreste.

Durante as buscas por Wilson, policiais encontraram o carro suspeito, no município de Salgadinho, e fizeram a abordagem. Na revista, foram encontradas as balaclavas, dois coletes balísticos, um revólver calibre 38 sem registro e munições. 

Os ocupantes do carro se apresentaram como militares e foram levados para a Delegacia de Limoeiro, onde prestaram depoimento e foram liberados - apesar dos fortes indícios. Eles estavam de folga no dia do crime. 

Uma perícia realizada no carro identificou material genético da vítima, ampliando a materialidade das acusações contra os policiais. 

Reprodução
Carro usado no sequestro, na zona rural de Limoeiro, passou por perícia e identificou material genético da vítima - Reprodução

PRISÃO PREVENTIVA E INVESTIGAÇÃO NA CORREGEDORIA

Com a conclusão das investigações, o MPPE encaminhou a denúncia à Justiça, solicitando as prisões preventiva do grupo. A possível motivação para o crime contra Wilson não foi apontada no relatório. 

Os quatro policiais foram encaminhados ao Centro de Reeducação da Polícia Militar de Pernambuco (Creed), em Abreu e Lima, em 19 de dezembro, por determinação da juíza Isabella Ferraz Barros, da Vara  Criminal da Comarca de Limoeiro. 

O caso também é investigado pela Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS). No final do processo, os militares também ser expulsos da corporação. 

O QUE DIZ A DEFESA?

A advogada Raquel de Melo, responsável pela defesa dos policiais militares presos, se pronunciou por meio de nota sobre o caso.

Segundo ela, "as perícias técnicas - balística, veicular e análise de registros operacionais - já concluídas pela Polícia Científica afastam de forma categórica e irrefutável qualquer participação dos agentes nos fatos".

"Os laudos comprovam que o veículo apreendido não é o mesmo da ocorrência, que as armas dos policiais não possuem qualquer relação com o crime e que a abordagem ocorreu em município diverso, tornando a acusação faticamente impossível", disse.

A advogada declarou também que "causa profunda preocupação que, mesmo diante de provas técnicas conclusivas, a narrativa insista em incriminar agentes da lei. É fundamental que seja observado o contexto e o histórico de todos os envolvidos para a completa elucidação dos fatos, evitando a criação de narrativas que não se sustentam".

Por fim, a defesa afirmou que "confia na Justiça e tomará todas as medidas cabíveis para cessar esta tentativa de criminalização de agentes da segurança pública, que afronta a presunção de inocência e o próprio Estado Democrático de Direito".

 

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