Dia Mundial do Câncer: Inteligência Artificial e exames fortalecem prevenção do câncer de intestino
Tecnologia aplicada à colonoscopia aumenta detecção de pólipos e amplia chances de cura de um dos cânceres mais incidentes no Brasil
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O dia 4 de fevereiro é marcado pelo Dia Mundial do Câncer, que reforça a importância do diagnóstico precoce como estratégia central para reduzir mortes pela doença.
No caso do câncer de intestino, um dos três mais incidentes no Brasil, a combinação entre exames endoscópicos e Inteligência Artificial tem fortalecido o rastreio e ampliado significativamente as chances de prevenção e cura.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), mais de 45 mil novos casos da doença são estimados por ano no País, mas estudos indicam que até 90% podem ser curados quando identificados precocemente.
Inteligência Artificial amplia precisão dos exames
A incorporação da Inteligência Artificial (IA) à colonoscopia e à endoscopia digestiva alta tem transformado a prática médica.
Sistemas baseados em IA auxiliam o especialista durante o exame, sinalizando em tempo real áreas suspeitas da mucosa intestinal ou gástrica. A tecnologia pode aumentar de forma relevante a taxa de detecção de pólipos, lesões benignas que podem evoluir para câncer se não forem removidas.
Câncer de intestino: comum, mas altamente prevenível
Apesar da alta incidência, o câncer de intestino é considerado um dos mais preveníveis. A doença costuma se desenvolver lentamente, a partir de pólipos que podem ser removidos antes da transformação maligna.
A colonoscopia, também chamada de endoscopia baixa, é o exame padrão-ouro para o rastreio, pois permite visualizar todo o cólon e o reto e, ao mesmo tempo, tratar as lesões encontradas.
Por esse motivo, especialistas destacam que o exame vai além do diagnóstico: trata-se de uma ferramenta efetiva de prevenção.
Diferença entre colonoscopia e endoscopia
Embora frequentemente confundidos, os exames têm objetivos distintos e complementares. A endoscopia digestiva alta avalia esôfago, estômago e duodeno, sendo fundamental para detectar precocemente cânceres gástricos e de esôfago, além de inflamações e lesões pré-malignas.
Já a colonoscopia examina o intestino grosso e o reto, onde se concentram os casos de câncer colorretal. Ambos os procedimentos podem ser potencializados pelo uso da Inteligência Artificial, que atua como ferramenta de apoio, sem substituir a avaliação médica.
Baixa adesão ainda é desafio
De acordo com a médica endoscopista Leliane Alencar, da Endogastro, a principal dificuldade para reduzir a mortalidade é a baixa adesão ao rastreio. Muitas pessoas só buscam atendimento quando surgem sintomas como sangramento intestinal, dor abdominal ou alteração do hábito intestinal, sinais geralmente associados a estágios mais avançados da doença.
O rastreamento é indicado, em geral, a partir dos 45 anos para pessoas sem fatores de risco. Quem tem histórico familiar, doenças inflamatórias intestinais ou síndromes genéticas deve iniciar a investigação mais cedo, conforme orientação médica.
Diagnóstico precoce reduz impacto do tratamento
Quando identificado no início, o câncer de intestino apresenta taxas de cura superiores a 90%. Nesses casos, o tratamento costuma ser menos invasivo, com ressecções endoscópicas ou cirurgias de menor porte. Em fases avançadas, porém, são comuns procedimentos mais complexos, associados à quimioterapia e, em alguns casos, à radioterapia.
O mesmo raciocínio se aplica a outros cânceres digestivos, como os de estômago e esôfago, reforçando o papel dos exames endoscópicos no rastreio.