Anvisa amplia indicação da vacina nonavalente contra HPV para prevenir câncer de orofaringe, cabeça e pescoço
Aprovação foi embasada em estudos internacionais de vida real que geraram evidências sobre o perfil de efetividade e segurança da vacinação
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a indicação ampliada da vacina nonavalente contra o HPV para a prevenção do câncer de orofaringe e outros cânceres de cabeça e pescoço relacionados à infecção pelo vírus. A decisão foi baseada em estudos internacionais de dados de vida real.
Um desses estudos foi realizado no Brasil e analisou a prevalência do HPV em mais de 5 mil mulheres e homens de 16 a 25 anos de todas as capitais do País.
Entre as mulheres analisadas no estudo, a prevalência da infecção oral pelo HPV foi significativamente menor entre aquelas que foram vacinadas contra a IST (0,43%), em relação às que não receberam a vacina (1,65%). Entre os homens, não houve diferenças significativas.
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), os tumores da cavidade oral estão entre os cinco tipos de câncer mais incidentes entre os homens no Brasil.
O HPV é conhecido por ser causador de diversas doenças e cânceres entre homens e mulheres. Um estudo demonstrou que a maioria dos casos de câncer de orofaringe relacionados ao HPV foi causada pelos tipos de vírus cobertos pela vacina nonavalente.
Embora, na maioria das pessoas, o HPV desapareça espontaneamente, em indivíduos que não eliminam o vírus a infecção persistente pode levar, ao longo do tempo, ao câncer de orofaringe relacionado ao HPV.
Com a redução do tabagismo e do consumo de álcool, o HPV vem se consolidando como fator de risco-chave para o câncer de orofaringe, especialmente entre homens.
A carga global de câncer de orofaringe relacionado ao HPV está em crescimento entre homens e já é mais elevada neles do que em mulheres.
Homens têm cerca de duas vezes mais probabilidade de apresentar HPV oral de alto risco em comparação com mulheres e, globalmente, o risco de câncer de orofaringe é aproximadamente quatro vezes maior entre a população masculina.
"Como não existem exames de rotina estabelecidos para certos cânceres relacionados ao HPV, com exceção do câncer de colo do útero, a nova indicação da vacinação como prevenção contra cânceres de cabeça e pescoço ganha relevância em nosso País e é motivo de celebração", destaca a diretora médica da MSD Brasil, Márcia Datz Abadi.
Estudo internacional
A MSD está conduzindo um estudo clínico internacional que envolve mais de seis mil homens de 20 a 45 anos, em 16 países, incluindo o Brasil, que investiga o perfil de eficácia e segurança da vacina nonavalente contra o HPV na prevenção da infecção oral persistente por HPV em homens, em comparação com placebo.
Esse é o primeiro grande ensaio clínico randomizado a avaliar a eficácia contra a infecção oral persistente por HPV nessa população. O estudo terá conclusão em 2028.