Planalto e governo do Rio trocam acusações sobre mortes em operação; Congresso reage

Presidente da C.D.H. classifica operação no Rio como "chacina"; presidente do Senado manifesta solidariedade às famílias das vítimas

Por Romoaldo de Souza Publicado em 28/10/2025 às 20:54

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O ADVÉRBIO DO GOVERNO
Nas narrativas das conveniências, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), disse que pediu ajuda federal, mais não recebeu o apoio necessário. Mas ágil do que o costume, o Ministério da Justiça divulgou uma longa nota - com mais de 20 parágrafos - afirmando que “para esta operação” não houve pedido do governo fluminense. “Com investimentos significativos e esforços contínuos, o MJSP permanece empenhado em assegurar resultados efetivos e contribuir para a preservação da ordem pública no Estado do Rio de Janeiro.”

PARA O PT, ‘FOI CHACINA’
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Reimont (PT-RJ), disse à coluna que já oficiou o governo do Rio de Janeiro, o Ministério da Justiça, o Ministério Público e a Secretaria de Segurança Pública, cobrando “atenção psicossocial aos familiares das pessoas que morreram - sejam civis ou policiais”. Para o parlamentar, o que ocorreu no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (28), “tem que ser qualificado com chacina”.

SOLIDARIEDADE COMO DEVE SER
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), manifestou “solidariedade às famílias das vítimas, aos profissionais de segurança” e apresentou “apoio às ações das forças de segurança no combate à criminalidade, às facções e ao crime organizado”.

ENQUANTO ISSO…
…dorme em berço esplêndido, em gavetas do Palácio do Planalto, um projeto de enfrentamento às facções criminosas. A proposta prevê aumento de penas para integrantes de grupos organizados como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Financiadores de organizações criminosas também terão penas elevadas que passam de oito anos para até dez anos de reclusão.

O ‘ZAP’ DA CPMI
Os tempos são outros no Congresso Nacional. Durante o depoimento do piloto Traugott Galvão, que comandou um dos aviões de pequeno porte pertencente a pessoas ligadas à diretoria da Conafer (Confederação Nacional da Agricultura Familiar), o relator, Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), fez um pedido inusitado a Galvão: “ligue para o seu amigo Leandro Almeida [também piloto], queremos falar com ele ao vivo na CPMI.”

LIGAÇÃO DIRETA
No viva-voz, transmitida para as rádios e as TVs, o relator conversou com Leandro Almeida. O piloto confirmou informações de que trabalhou realizando voos transportando dirigentes da Conafer e também o deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG). O parlamentar deve ser convocado para depor na CPMI.

DIAS DE DESCANSO
Mulheres que apresentam sintomas graves durante o período menstrual terão direito a ficar em casa dois dias por mês. A proposta aprovada na Câmara, agora vai ao Senado. Autora do projeto, a deputada Jandira Feghali (PC do B-RJ) afirmou que “cerca de 15% das mulheres enfrentam sintomas graves, com fortes dores na região inferior do abdômen e cólicas intensas, que chegam, muitas vezes, a prejudicar sua rotina”. A trabalhadora precisará apresentar laudo médico para comprovar a necessidade de afastamento.

NA CONTA DE TRUMP
A vitória do partido do presidente argentino Javier Milei, La Libertad Avanza, e a escolha de Sanae Takaichi (Partido Liberal Democrata) como primeira-ministra do Japão contaram com o apoio do democrata norte-americano Donald Trump. Milei e Takaichi têm em comum o rock’n’roll pesado: o presidente argentino é cantor e sonha em gravar um disco “desde que não sejam essas baladas melosas”, enquanto Takaichi é ex-baterista de heavy metal.

LULA NÃO DEVE IR À BOLÍVIA…
…participar da posse do presidente eleito Rodrigo Paz (Partido Democrata Cristão), marcada para 8 de novembro. Lula delegou ao vice, Geraldo Alckmin, a representação do Brasil. Mas o motivo da ausência do presidente não tem nada a ver com divergências políticas: a posse de Rodrigo Paz ocorre na véspera da abertura da COP30, em Belém (PA).

PENSE NISSO!
Não se trata de comemorações como fizeram alguns parlamentares na Comissão de Segurança da Câmara, mas chega a ser uma aberração a forma como reagiram alguns parlamentares que têm a coragem de dizer que “é possível combater o crime sem dar um tiro”.

Ora, se fosse fácil, a própria esquerda que já comandou o Rio de Janeiro teria erradicado o tráfico, inscrito os criminosos em programas socioeducativos e ocupado os morros com a presença do Estado.

O fato, minha gente, é que não se adquire know-how para combater o crime organizado com discurso proselitista, comparando quantos morreram de um lado e do outro como se fosse uma competição de tiro ao alvo.

Bandido bom é bandido fora de circulação.

Pense nisso!

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