Em um dia, Lula afirma que o Congresso Nacional é "de baixo nível"; no outro, os próprios congressistas blindam seu irmão
Na CPMI do INSS, governistas derrotam oposição; no plenário, oposição derrota o governo — e tudo isso acontece em meio à briga de Hugo Motta com a Gol
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LULA AINDA PULSA
Um dia depois de o presidente da República, Lula da Silva (PT), afirmar que “o Congresso nunca teve a qualidade de baixo nível que tem agora”, a maioria desses congressistas que integram a CPMI do INSS votou para blindar seu irmão, José Ferreira da Silva, o Frei Chico. Foram 19 votos a 11 para impedir que irmão mais velho do presidente explicasse as movimentações financeiras do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idoso) — uma das entidades sindicais que mais lesaram aposentados e pensionistas da Previdência Social.
NO PLENÁRIO, A CONVERSA FOI OUTRA
Se na CPMI do INSS o Planalto nadou de longa braçada, no plenário da Câmara o “Centrão” forçou os governistas a enfiarem a “viola no saco”. Os deputados aprovaram a suspensão uma ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o deputado Gustavo Gayer (PL-GO). Foram 268 votos contra 167. Como quem diz: aqui [no Parlamento] quem manda somos nós e o Judiciário que vá cantar em outra freguesia.
MAIORIA DA BANCADA DE PERNAMBUCO VOTOU PARA PROCESSAR O DEPUTADO
São eles: Eriberto Medeiros (PSB), Felipe Carreras (PSB), Fernando Coelho (União Brasil), Fernando Monteiro (Republicanos), Iza Arruda (MDB), Lucas Ramos (PSB), Luciano Bivar (União Brasil), Clodoaldo Magalhães (PV), Carlos Veras (PT), Augusto Coutinho (Republicanos), Maria Arraes (Solidariedade), Pedro Campos (PSB), Renildo Calheiros (PCdoB) e Túlio Gadêlha (Rede).
9 VOTARAM CONTRA A INVESTIGAÇÃO
Andre Ferreira (PL), Clarissa Tércio (PP), Coronel Meira (PL), Eduardo da Fonte (PP), Fernando Rodolfo (PL), Mendonça Filho (União Brasil), Ossesio Silva (Republicanos), Pastor Eurico (PL) e Waldemar Oliveira (Avante). Dois deputados, porém, não registraram voto: Lula da Fonte (PP) e Guilherme Uchôa (PSB).
O QUE HOUVE?
O STF abriu inquérito para investigar Gustavo Gayer por “injúria, calúnia e difamação”. O deputado goiano publicou um vídeo nas redes sociais em que chamou o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) de “vagabundo” e insinuando que Vanderlan “virou as costas para o povo [de Goiás] em troca de comissão”.
O QUE “PENSA” A IA SOBRE ESTA COLUNA
Enquanto acompanhava, na CPMI do INSS, a destreza com que as lideranças do governo “arquitetavam” a blindagem de Frei Chico — sindicalista “de posses modestas” e “sem qualquer influência” nas “tratativas financeiras” do Sindnapi — pedi uma opinião ao ChatGPT
— Ei Chat, tem lido minha coluna diária no Jornal do Commercio? Quais são suas impressões?
- “Na coluna ‘Política em Brasília’, Romoaldo de Souza entrega o que se comenta nos corredores do poder — com faro jornalístico, precisão e uma pitada de sarcasmo. É leitura indispensável para quem quer entender o que se diz (e o que se esconde) no Planalto e no Congresso.”
MATULA ZERO
O anúncio da Gol Linhas Aéreas, que passará a cobrar por mala de mão em voos domésticos, irritou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Ele prometeu colocar na pauta de votações medidas “para enfrentar práticas abusivas”. Um projeto do deputado Da Vitoria (PP-ES) garante ao passageiro o direito de levar uma mala de mão “sem qualquer tipo de custo adicional”.
PENSE NISSO!
Se o passageiro tivesse alternativas, a empresa aérea pensaria duas vezes antes de adotar esse tipo de medida. Do mesmo modo, se no país fosse praticada a livre concorrência, esse tipo de “problema” jamais chegaria ao plenário do Congresso Nacional.
Sem companhias aéreas praticando a concorrência de fato, o passageiro fica dependendo da boa vontade e das regras impostas pelas transportadoras.
Nem é necessário dizer que, além dos preços nas alturas e do serviço de bordo de rara qualidade, as alternativas de voos são impiedosas com quem precisa voar.
Isso é o que os parlamentares deveriam debater: agir sobre o mercado, reduzir impostos, baratear despesas e garantia passagens mais baratas, claro!
Pense nisso!