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Materiais de acabamento disparam e dobram o consumo na construção civil, aponta relatório

Os dados fazem parte do "Panorama de Consumo de Materiais de Construção por Construtoras e Incorporadoras", relatório recém-lançado

Por JC Publicado em 07/11/2025 às 13:14 | Atualizado em 07/11/2025 às 13:17

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O consumo de materiais de construção por construtoras e incorporadoras acelerou significativamente em 2025, revertendo a retração vista no início do ano. O destaque do período ficou para os materiais de acabamento, que registraram um aumento acumulado de 102% nas compras entre janeiro de 2023 e julho de 2025.

Os dados fazem parte do “Panorama de Consumo de Materiais de Construção por Construtoras e Incorporadoras”, um relatório recente elaborado pelo Ecossistema Sienge em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT).

Aceleração na reta final de obras

Enquanto os materiais de base (argamassa, tijolo e cimento) cresceram 68% no mesmo período e seguem predominantes no valor total gasto (entre 71% e 77%), o volume financeiro destinado a itens como piso cerâmico e tintas demonstrou uma curva de crescimento mais intensa.

A análise aponta que os materiais de acabamento alcançaram uma participação de até 29% do total consumido, superando a média histórica que varia entre 23% e 26%. Após um recuo em janeiro, ambos os segmentos voltaram a crescer a partir de abril, atingindo seus maiores patamares históricos em julho.

Para Gabriela Torres, Gerente de Inteligência Estratégica do Ecossistema Sienge, a movimentação reflete uma mudança de ritmo. “O comportamento dos dados indica uma retomada mais intensa do ritmo das obras e uma maior coordenação entre prazos e especificações, refletindo um ciclo de execução mais dinâmico e voltado à entrega dos empreendimentos. Isso exige maior atenção da indústria nos prazos para entregas”, afirma.

O foco em acabamento é um indicativo claro do estágio de execução dos projetos. Um estudo de caso de uma obra de alto padrão iniciada em 2022 mostra que, no primeiro ano, 97% das compras eram para estruturação. A partir do final de 2023, o cenário se inverteu, com os itens de acabamento chegando a superar 50% do volume financeiro total — um comportamento típico de projetos em fase final.

A expectativa para 2026 é que o setor avance para um novo patamar de eficiência, com a consolidação de tecnologias de industrialização e práticas sustentáveis. A tendência é que os produtos de acabamento ultrapassem a barreira dos 30% de participação nas compras totais.

Paulo Engler, Presidente da ABRAMAT, destaca a transformação no canteiro de obras. “O canteiro deixou de atuar apenas no improviso e se aproxima cada vez mais de uma linha de montagem. Essa mudança tende a reduzir retrabalho e encurtar prazos, favorecendo fornecedores capazes de entregar padronização e previsibilidade. A disputa não será mais apenas por preço, mas por performance e velocidade”, aponta.


 
 
 
 

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