Filhas de um mesmo tempo
Clarice Freire e Aline Bei encantaram o público no Festival Recifense de Literatura A Letra e a Voz, em bate-papo no Teatro de Santa Isabel
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Foi a primeira vez que as duas escritoras, uma pernambucana, a outra paulista, participaram de um evento literário em conversa apenas entre elas, sem moderadores ou outros convidados. Inicialmente previsto para o Salão Nobre do Teatro de Santa Isabel, monumento da cultura e da arquitetura do Nordeste, o bate-papo de Clarice Freire com Aline Bei, no sábado, 1 de agosto, precisou ser transferido para o palco principal, por causa da dimensão do público que adquiriu o ingresso gratuito para o marcante momento no Festival Recifense de Literatura A Letra e a Voz.
Entre perguntas e respostas, comentários, confissões, leituras, recordações e risos, o diálogo emocionou as duas e a plateia, formada, em sua maioria, por fãs de suas obras, que logo depois estariam na longa fila de autógrafos, carregados de livros, ansiosos por abraços e fotos. Cansadas e felizes, Aline e Clarice falaram à coluna imediatamente após da maratona.
“Conheço a Clarice como escritora há muito tempo, mas como pessoa a gente tem se trombado mais recentemente. E desde que começamos a conversar, tenho vontade de fazer uma mesa com ela, porque senti sintonia, não só na nossa personalidade, mas nas pesquisas, no modo como a gente lida com a folha, o cuidado com a palavra, o comprometimento com o ritmo”, disse Aline Bei. “E claro, somos da mesma geração. Ser filhas de um mesmo tempo é uma coisa que nos toca e aproxima de uma maneira natural. Foi uma noite maravilhosa, a nossa interação, a nossa escuta. A gente sentiu isso no palco”.
Clarice Freire também compartilhou a emoção, destacando a importância do local em que se deu o encontro. “O Teatro de Santa Isabel é emblemático aqui na cidade. Ver aquele teatro praticamente lotado para uma conversa entre duas autoras jovens contemporâneas sobre literatura, o envolvimento do público. E a gente foi conduzindo de um jeito que se deu o transbordamento da conexão que já sabíamos que existia, mas ver isso se materializar no teatro, na minha terra, no Recife, teve uma emoção especial pra mim. Saio comovida, nutrida. Por Aline, antes de tudo, porque a gente se celebrou, pudemos mergulhar no universo uma da outra, com respeito e veneração, no melhor sentido da palavra. Pisar nesse lugar sagrado, sendo filhas do mesmo tempo, cada uma com seu sotaque, cada uma no seu lugar, mas nesse lugar comum da palavra, isso é grandioso. Foi um prazer imenso, um privilégio”, contou Clarice.
Água turva em inglês
O romance “Água turva”, de Morgana Kretzmann, publicado no Brasil em 2024 pela Companhia das Letras, está sendo publicado em inglês pelo selo HarperVia, da Harper Collins, com o título “The Red Earth”. É o primeiro romance brasileiro publicado pelo selo, dedicado a histórias escritas em línguas não inglesas. A tradução é de Daniel Hahn.
Mário Hélio na Academia Paraibana
Nascido em Sapé, o escritor e historiador Mário Hélio Gomes da Silva, superintendente de Periódicos e Projetos Especiais na Cepe, tomou posse na última sexta-feira na Academia Paraibana de Letras. Mário Hélio, que já é integrante da Academia Pernambucana de Letras, passa a ocupar também a cadeira de número 15 da Academia no estado vizinho.
Kaffeekantate
A Academia Pernambucana de Letras (APL) recebe o lançamento do novo livro de Valdivia Beauchamp nesta segunda, 3. Em edição bilíngue português e inglês pela ZL Books, “Kaffekantate” é um romance histórico inspirado em personagens reais: Gertrude Bell e Thomas Mann. Depois de passar pela Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), por São Paulo e Brasília, a autora realiza conversa e sessão de autógrafos na sede da APL, no Recife, a partir das 7 da noite.
A linguagem das mulheres políticas
Juliana Romão lança na quinta, 6, no Recife, “A linguagem das mulheres políticas - Desmecanizar o pensamento é emancipar a fala pública”, pela editora Appris. O prefácio é de Ana Veloso, que debate com a autora, antes da sessão de autógrafos. Na Livraria do Jardim, a partir das 7 da noite.
Sessão coletiva na APL
No próximo sábado, 8, a Academia Pernambucana de Letras (APL) realiza a quinta edição da Sessão Coletiva de Autógrafos. A iniciativa representa oportunidade para relançamentos, além de abrir as portas da instituição para autoras e autores do interior de Pernambuco e de outros estados, que desejam mostrar suas obras no Recife. Estão confirmados para o evento: Diogivania Maria, Isac Neto, Luciana Moura, Maria do Rosário, Paula Imperiano, Danielle Romani, Draylton Tavares, Severino Pedro (de Bezerros), Wilson Falcão, Robson Santos e Thiago Medeiros (os três de Caruaru), Paula Soares (Garanhuns) e Iviny (Campina Grande), além dos acadêmicos da APL, Cícero Belmar e Fábio Lucas.
Batalhas fantasmas
Um dos livros que serão lançados na APL no próximo sábado, a coletânea de contos de Paula Soares é publicada pela Patuá. Em “Batalhas fantasmas” estão “histórias pintadas em tons de cinza que passeiam entre a claridade absoluta da vida e a sua total escuridão”, de acordo com a sinopse. A autora, recifense que mora em Garanhuns, foi aluna da oficina literária de Raimundo Carrero.
90 anos de Loyola Brandão
Integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL), autor de “Desta terra nada vai sobrar, a não ser o vento que sopra sobre ela”, Ignácio de Loyola Brandão completou 90 anos no último dia 31. Vale recordar um trecho do livro mencionado, publicado em 2018 pela Global: “Perdi meu nome, não sei onde, como, quando. Acordei e estava sem. Li na internet que vem acontecendo com muita gente, o que deixa as pessoas confusas. Vi também que as pessoas estão atordoadas, as horas estão desaparecendo dos relógios. Há relógios que estão girando para trás. Pouco importa, com nome ou sem nome, sou eu”.