Flip exalta Orides Fontela
Homenageada na Flip deste ano, a obra poética e filosófica da escritora paulista é referência para a crítica e conquista novos leitores no país
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De quarta, 22, a domingo, 26, a cidade histórica de Paraty, no Rio de Janeiro, abrigará a 24ª edição da Festa Literária Internacional mais badalada do Brasil, a Flip. Em 2026, a homenagem do evento chama atenção para a obra de Orides Fontela, falecida em 1998, mas cuja força poética e filosófica ainda não é tão conhecida do público, apesar do reconhecimento obtido junto à crítica.
Editora que publica a escritora desde 2015, a Hedra está lançando três livros que devem ampliar o alcance das homenagens: “Pelos olhos de Orides”, com seleção de poemas e concepção editorial de Augusto Massi, ilustrações de Cynthia Cruttenden e posfácio de Odilon Moraes; “Conversas: escritos e entrevistas de Orides Fontela”, com organização de Ieda Lebensztayn, Mário Alex Rosa e Augusto Massi; e “O enigma Orides”, de Gustavo de Castro, em edição revista e ampliada. Serão relançadas outras obras da poeta, como “Alba”, título vencedor do Prêmio Jabuti, e “Teia”, que levou o APCA.
Convidado pela organização da Flip e pela Hedra, o sobrinho e representante dos direitos autorais de Orides Fontela, Fábio Nogara falou à Literária sobre a emoção de acompanhar a Flip: “Pra gente da família da Orides Fontela, é uma felicidade muito grande, uma honra ter ela como autora homenageada desta edição da Flip. A gente acredita que, a partir daí, novos leitores vão surgir. Orides Fontela não é um nome do mainstream, não é um nome tão conhecido do público”. Para o cantor e compositor, a ampliação da leitura da escritora não é o único efeito da exposição promovida pela Flip. “Com certeza, uma reação em cadeia que tende a acontecer também, é que novos autores de poesia possam surgir a partir disso”.
Fábio Nogara celebra a valorização da poesia, atrelada à homenagem. “No mundo tão acelerado que a gente vive, tão fugaz, é difícil ter tempo de parar para ler um livro. Ainda mais, um livro de poesia. E é muito legal essa ideia da Flip de retomar a poesia, como fizeram o ano passado. Isso é de uma importância literária enorme. A gente está muito ansioso para a Flip. Tudo que Orides Fontela representa hoje para a Academia, para os críticos literários, ela vai se traduzir agora para o público de maneira geral, que ainda não conhece ela e agora vai passar a conhecer”.
Saiba mais em www.flip.org.br.
A confraria da oliveira
Será na Livraria Circulares, em Brasília, nesta segunda, 20, o lançamento de Luize Valente, em publicação da Vestígio. “A confraria da oliveira” é uma história que “atravessa gerações marcadas por migrações, amores e segredos”. Antes dos autógrafos, haverá bate-papo da autora com Carlos Marcelo, a partir das 7 da noite.
Além das cicatrizes
A Academia Pernambucana de Letras (APL) terá o lançamento, na terça, 21, de “Além das cicatrizes”, de autoria de Zaldo Magalhães Just Neto, que conta sua história de vida, refletindo sobre as consequências do feminicídio de sua mãe. Uma obra “sobre o poder da superação, da memória e da transformação”. A apresentação é de Glória Perez, que diz: “Zaldo fez justiça para a mãe, mas fez justiça também para si próprio”. A partir das 7 da noite, na sede da APL, no Recife.
Feiras e Festivais
Afonso Borges e Paulo Werneck fazem debate na sexta, 24, na Flip, sobre “Feiras e festivais literários: desafios e perspectivas”. Afonso Borges organiza festivais em Araxá, Itabira, Paracatu e Petrópolis, e é o criador do Sempre Um Papo, que completa 40 anos em 2026. Paulo Werneck fundou a revista Quatro Cinco Um, e coordena A Feira do Livro, em São Paulo. A conversa entre os dois em Paraty está marcada para começar às 11h da manhã, na Casa Fundação Itaú com TV Cultura.
Guia para mulheres bravas
Semifinalista do Jabuti Acadêmico na categoria Divulgação Científica, com o livro “Guia de conduta para mulheres bravas”, publicação da editora orlando, a artista visual, pesquisadora e escritora Marina Jerusalinsky participa da Flip, em Paraty, em dois debates e uma sessão de autógrafos. Na obra, a autora revisita os julgamentos de mulheres entre os séculos XIV e XVIII, quando “eram punidas por falarem de forma considerada "inapropriada" em espaços públicos, e discute como esses mecanismos de controle da fala e do comportamento feminino permanecem presentes na sociedade contemporânea”. A sessão de autógrafos será na Casa Opera, no sábado, 25, a partir das 4 da tarde.
Quem manda nesta casa?
A Livraria Pó de Estrelas, no Recife, recebe o lançamento de Gianni Gianni no sábado, 25. Com ilustrações de Suzane Lopes e publicado pela PeraBook, “Quem manda nesta casa?” conta a história do menino Naldo, que passa a questionar o comportamento dos adultos, a partir da observação da casa dos avós. Para a autora, através do olhar de uma criança, “são questionados os desequilíbrios de poder na família, a partilha de responsabilidades na criação dos pequenos e a censura à expressividade e subjetividade dos meninos”. Antes dos autógrafos, Gianni bate-papo com Bell Puã, a partir das 3 da tarde.
Palavra que passa
Laura Diniz Montarroyos acaba de lançar seu primeiro livro de poemas, pela Patuá: “Palavra que passa”. Angélica Marques escreve no prefácio que a obra “se assemelha a uma carta descontruída de amor, em que nós, por vezes, nos colocamos no lugar de destinatário e, em outros momentos, nos tornamos o remetente”. E segundo Laura, “o livro parte da ideia da palavra como uma entidade viva” que “aparece nos poemas como uma presença que atravessa experiências”. Saiba mais em www.editorapatua.com.br.
Acaccil
A Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras (Acaccil) deu posse no último dia 10 a três novos integrantes. O escritor e editor Thiago Medeiros assumiu a cadeira de número 12, Lucimary Elisabete dos Passos a de número 24, e Roberto Ribeiro da Silva, a de número 28. Os novos acadêmicos vão colaborar para disseminar a cultura de Caruaru em Pernambuco e no restante do país.