O clássico é sempre atual
70 anos de "Grande Sertão: Veredas" ganha projeto especial da editora Autêntica, com debate na Feira do Livro neste sábado, em São Paulo
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Uma obra inovadora da literatura brasileira completa 70 anos de publicação em 2026. Para marcar sua importância, a Autêntica criou o projeto “3 veredas para o Grande Sertão” com livros que ampliam a compreensão do clássico de Guimarães Rosa. Jacques Fux assina “Sertão-Veneza – Retornos e travessias roseanas”, e Bruna Lombardi, “Diário do Grande Sertão”. Italo Moriconi escreveu “Para ler Grande Sertão: veredas”, que terá, aliás, evento de lançamento na próxima quinta, 11, na Livraria da Travessa de Ipanema, no Rio de Janeiro, a partir das 7 da noite.
Neste sábado, 6, Moriconi, Jacques Fux e Bruna Lombardi participam da Feira do Livro, em São Paulo, na mesa “Travessias do sertão: 70 anos de Grande Sertão: Veredas”, com mediação de Schneider Carpeggiani, a partir das 15h40, no Motiva Tablado Literário. Carpeggiani é editor da Autêntica e conversou com a coluna Literária. Para ele, são três perspectivas diferentes da obra que pode ser lida de diversas formas. Um clássico que “continua atualíssimo, porque é sobre uma selvageria que podemos pensar na relação com o crime organizado, ou sobre a questão de gênero, muito discutida hoje”, exemplifica.
Sobre os livros do projeto, conta o editor: “Ítalo Moriconi fez um guia de leitura. Porque o livro é muito abandonado no meio da leitura. Você entra naquela selvageria, e às vezes se sente perdido. Moriconi é uma espécie de amigo que vai guiar o leitor pelo livro. Jacques Fux fez um livro de viagem, com os cadernos de viagem de Guimarães Rosa pela Itália, a apresenta uma costura, nessas viagens, com as viagens de Rosa pelo Sertão. E mostra como a viagem muda a vida da gente. Também estamos reeditando um livro de Bruna Lombardi, que contém os diários de uma série da Globo nos anos 1980, de Grande Sertão: Veredas, onde ela fez Diadorim. É uma versão atualizada, com muitos trechos que não estavam na edição original”, diz Carpeggiani.
“O sertão está dentro de mim”
Como leitora de Guimarães Rosa desde os 15 anos, Bruna Lombardi, também em contato com a coluna Literária, disse que a leitura de “Grande Sertão: Veredas” foi tão impactante que fez marcações no livro inteiro. “Jamais poderia imaginar que iria me desconstruir, para construir um dos personagens mais icônicos da literatura mundial. Nunca pensei que eu ia ser Diadorim. Minha transformação em Diadorim foi um dos processos mais complexos e interessantes que uma pessoa pode vivenciar”, conta.
Para a nova edição de seus diários pela Autêntica, os textos e desenhos inseridos fazem a escritora considerar a obra, agora, completa. “Uma das coisas que a releitura me trouxe, pois reli o Guimarães de novo, é que vivi um tempo dentro do sertão, novamente. Minha memória emocional daquilo tudo está muito presente em mim. O sertão continua dentro de mim, e vai continuar para sempre”.
A experiência do Brasil profundo, no sertão, foi tão forte para Bruna Lombardi, que ela diz que escreveu o diário para se orientar, para não se perder. “A gente ia abrindo estrada onde não tinha. Juntar todos os elementos, e todo um trabalho interno, trazer à tona essa mulher escondida, atrás de si mesma, de seu masculino, para poder viver no sertão. O diário também foi uma maneira de eu sobreviver no sertão, de não enlouquecer com tudo o que eu estava vivenciando”.
A escritora intercalou frases de Guimarães Rosa no diário escrito por ela. “Escrevia alguma coisa e lembrava de algo que ele tinha dito. Foi uma experiência única, abençoada. Falo pra mim: que privilégio, que prêmio para uma atriz, poder fazer Diadorim. E para um ser humano, poder viver essa aventura desconhecida no sertão. Foi uma das melhores etapas, das melhores coisas que me aconteceram”.
Saiba mais sobre o projeto e os livros de “3 veredas para o Grande Sertão” no Instagram @autenticaeditora.