Quanto mais livrarias, melhor
Encontro sobre o Mapa das Livrarias de Rua de São Paulo acontece na Feira do Livro, nesta quarta, na cidade do país com mais locais desse tipo
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O que faz uma livraria ser importante para os habitantes ou visitantes de um bairro, de uma cidade ou de um país? Por que as livrarias de rua devem ser valorizadas, estimuladas e frequentadas? Nesta quarta, A Feira do Livro reúne livreiras em debate sobre uma iniciativa inovadora, que tem sido celebrada e referida como exemplo de atuação conjunta: o Mapa das Livrarias de Rua de São Paulo, com quase 40 empreendimentos listados e localizados. O bate-papo será a partir das 5 da tarde no Palco da Praça, na Praça Charles Miller, em frente ao estádio do Pacaembu, com as presenças de Cecília Arbolave, da Banca Tatuí e da editora Lote 42, de Adalberto Ribeiro, da Livraria Simples, Monica Carvalho da Livraria da Tarde, e Julia Souto Araujo e Tereza Grimaldi, da Livraria Miúda.
A Literária recebeu depoimentos de Monica, Julia e Tereza, e antecipa alguns dos temas que podem ser discutidos no encontro.
Diversidade da vida
Julia Souto Araújo: “Livraria de rua é fundante para qualquer cidade interessante, uma cidade ativa intelectualmente. As livrarias de rua, além de serem pontos de encontro de pessoas interessadas em boas histórias, de leitores com seus autores, movimentam toda uma cena cultural do entorno. Fazem essa movimentação no bairro, e também na cidade e no país. Elas têm uma característica em comum, que são curadorias muito bem feitas, pesquisadas com cuidado. No caso da Livraria Miúda, a gente faz uma curadoria pautada na bibliodiversidade – que é pensar a diversidade da vida aplicada ao mundo dos livros. Para todos que gostam de ler, vão encontrar nas livrarias de rua os seus próprios mundos, e se deslocar deles, encontrar outros mundos possíveis. Encontrar coisas que não estavam dentro do repertório, e se abrir para novas possibilidades”.
Vínculos comunitários
Tereza Grimaldi: “Uma livraria de rua é um espaço cultural fundamental para a construção de cidades mais vivas, diversas e acolhedoras. Seu impacto vai além da comercialização de livros, ela fortalece vínculos comunitários, promove encontros, estimula a circulação de ideias e contribui para a formação de leitores e leitoras de todas as idades, inclusive daqueles que ainda estão por descobrir o prazer da leitura. Ao cultivar a bibliodiversidade em seu acervo, uma livraria de rua amplia horizontes e apresenta diversos mundos, perspectivas e narrativas a quem entra por suas portas, sempre abertas para a cidade. Muitas delas são livrarias independentes, de bairro, idealizadas por livreiras e livreiros que apostam no diálogo com a comunidade, na formação leitora, na curadoria cuidadosa e em uma programação cultural autoral e permanente. Mais do que pontos de venda, essas livrarias se consolidam como espaços de convivência, troca, criação e pertencimento. São lugares onde se constrói o imaginário coletivo, se fortalece a vida cultural local e se reafirma a importância do livro e da leitura”.
Espaços culturais e de acolhimento
Monica Carvalho: “As cidades ganham muito quando têm livrarias. Elas são lugares que formam comunidades em torno dos livros, da literatura, de autores. Muitas livrarias investem em formação de leitores por meio de clubes de leituras, rodas de conversa, bate-papo com autores, editores. Como consequência, o país ganha, porque a leitura desenvolve habilidades como empatia, pensamento crítico, sensibilidade.
As livrarias expandiram sua atuação e se tornaram muito mais que lugares de venda de livros. São espaços culturais que reúnem pessoas em torno de literatura geral, quadrinhos, infantil, artes, poesia, música, ciências sociais, política, psicanálise, teatro e outros saberes. As pessoas que gostam de ler ou gostariam de ser leitores, encontram nas livrarias um lugar de acolhimento, encontros com outros leitores e descobertas. É bonito acompanhar a jornada dos leitores que entram em uma livraria e se deparam com novos autores, diferentes editoras, belas capas de livros. O encantamento é imediato!”
Caminhos da ficção científica
Miguel Nicolelis e Bruno Marchese conversam com Victor Almeida sobre os muitos caminhos do gênero. Será que há limites para a ficção científica? E quais os obstáculos para a criação e publicação? Nesta quarta, 3, partir das 15h40 no Tablado Literário Mário de Andrade, na Feira do Livro, em São Paulo.
As bibliotecas e os territórios
A democratização do acesso à leitura estará no centro do debate de Sandro Luiz Coelho e Júnior Suci com Juliana Lazarim, também nesta quarta, a partir das 5 da tarde, no mesmo Tablado Mário de Andrade do evento literário paulistano.
Aos pés da letra
Gregório Duvivier realiza palestra-show que tem como base sua peça “O céu da língua”, e apresenta seu novo livro. No Palco da Praça, a partir das 7 e meia da noite, encerrando a agenda na quarta.
Para saber mais sobre A Feira do Livro e sua programação até o domingo, 7, acesse www.quatrocincoum.com.br.