Suape conhece experiência de Sines, um complexo portuário ao Nordeste de Lisboa com quem pretende ter parcerias no mercado da Europa
Armando Bisneto e dirigentes de Suape estiveram no Porto de Sines visando entendimentos que possam levar a conexão entre os dois portos
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Na manhã desta quarta-feira (26), dirigentes do Complexo Portuário de Suape conheceram, no Norte de Portugal, a experiência dos Portos de Sines e do Algarve, cuja concepção de criação, desenvolvimento e estratégia de negócios guarda forte semelhança com o porto de Pernambuco, no sentido de combinar uma plataforma de operações portuárias com a implantação na retaguarda de indústria e serviços de logística.
Sines tem menos de 50 anos como Suape e, assim como o complexo de Pernambuco, se tornou o segundo porto mais importante de Portugal, por reunir uma plataforma de serviços portuários conectados em tempo real e serviços de processamento de contêineres. Embora comparado a Suape - que movimentou 700 mil TEUS, em 2024 - Sines é mais de três vezes maior, tendo operado 1,9 milhões de contêineres.
A conversa com dirigentes de Suape, liderado pelo presidente Armando Monteiro Bisneto, serviu para troca de informações sobre os dois empreendimentos, especialmente na movimentação de combustíveis.
Assim como Suape, Sines com seu parque de vários tipos de combustíveis. Sines é um concentrador de gás natural liquefeito para todo Portugal, além de ser um operador de minério de ferro para uma siderúrgica existente na sua área de influência e de fornecer gás para a geração de energia elétrica, depois que Portugal eliminou o uso de carvão.
Os dirigentes de Suape que participaram do Coniben 2025 conheceram as operações do terminal operado por Sines, que pertence a APS - Administração dos Portos de Sines, empresa pública de gestão de serviços portuários.
Sines, porém, tem serviços que Suape ainda sonha, como um ferroviária que opera 5 mil viagens de trens por ano para terminais multimodais de Portugal e da Espanha, por exemplo.
O complexo está duplicando a capacidade de seus terminais para movimentar todo tipo de navios para importação e exportação. O seu conjunto de cais está numa área onde a profundidade de calado é de 28 metros, sem necessidade de dragagem, já que o piso do solo marinho é de rochas.
E, assim como Suape, vem desenvolvendo um projeto que visa abrigar projetos relacionado a produção de combustíveis limpos, como hidrogênio verde e seus derivados, tendo formulado uma agenda de transição energética que mira 2050, com o propósito de ter um complexo fornecedor de energia 100% limpa e operar com combustíveis sustentáveis.
O complexo de Sines se orgulha de operar uma das mais modernas plataformas colaborativas que cobre toda a cadeia logística, sendo literalmente um porto sem papel, mesmo operando diversos modais como transporte marítimo, ferroviário e rodoviário.
Ele também lidera sua maior agenda de inovação em Portugal, a Agenda Nexus, que visa desenvolver 28 novos produtos e serviços de inovação, reforçando a proteção em cibersegurança e inteligência artificial.
O presidente do Complexo Portuário de Suape foi recebido pelo presidente do Conselho de Administração (CEO) da APS Sines, Pedro do Ó Ramos, com quem agendou uma nova conversa sobre possíveis ações comerciais. Tendo em vista que, apesar das operações de Sines serem com a importação de Petróleo, existem oportunidades de novos negócios a partir da identificação de linhas de navios que possa conectar Sines e Suape, hoje, possível apenas através de uma única oferta de conexão entre os dois terminais.
Armando Bisneto destacou a semelhança das operações de Suape e Sines, tanto pelo modelo de ocupação territorial quanto pela preocupação com a proteção ambiental, lembrando que um dos principais caracteres de Suape é de ter preservado uma área de 57% de seu território com Mata Atlântica e de ser uma referência no setor ambiental no Brasil.
Isso sendo o maior operador de cabotagem, o maior do Norte-Nordeste de combustíveis, além de um grande terminal de contêineres, que deverá receber uma nova operação em 2027, com o projeto a APM Terminals, que está construindo um novo terminal elétrico.