Náutico bicampeão brasileiro? Clube monta dossiê para validar títulos nacionais
Timbu prepara pedido à CBF para reconhecer as conquistas de 1952 e 1966 como competições de caráter nacional
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O Náutico avança na formulação de um dossiê histórico e jurídico para solicitar à CBF o reconhecimento de dois títulos nacionais conquistados nas décadas de 1950 e 1960. A iniciativa, tratada internamente desde 2022, busca reposicionar a importância do clube no cenário do futebol brasileiro e reforçar o protagonismo do eixo Norte-Nordeste em competições oficiais do antigo sistema da CBD (Confederação Brasileira de Desportos).
Em entrevista ao Blog do Torcedor, Marcelo Vinícius, diretor jurídico do Timbu, explicou que o pacote envolve cinco títulos do acervo alvirrubro, quatro da década de 1960 e um de 1952. Três deles já são oficiais: as Taças Norte de 1965, 1966 e 1967. Os outros dois, que terão pedidos formalizados nos próximos dias, são o Torneio dos Campeões do Norte de 1952, apelidado de “Taça Brasil do Norte”, e o Torneio dos Campeões do Norte de 1966, conhecido à época como “Pequena Taça Brasil”.
Esses dois torneios são considerados pelo clube como competições de caráter nacional por critérios de abrangência, repercussão, finalidade e alcance geográfico. Ambos reuniam os campeões de federações profissionais do Norte e Nordeste e foram organizados com chancela direta da CBD e da Federação Pernambucana de Futebol (FPF) — que, à época, era a maior representante da Confederação no eixo Norte. “São torneios que nasceram oficiais por esforço do Náutico e da Federação Pernambucana”, explica Marcelo.
O dossiê também dialoga com precedentes já validados pela CBF, como o reconhecimento do Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1967 como Campeonato Brasileiro. Embora o Robertão tenha envolvido apenas três federações, sua chancela serviu, segundo o Náutico, como exemplo de que a CBD reconhecia competições regionais que representassem a expressão máxima possível do futebol nacional naquele contexto.
“A organização do futebol brasileiro era regionalizada. Nem sempre era possível abarcar o país inteiro" pontua o diretor jurídico.
No caso de 1966, a “Pequena Taça Brasil” reuniu as principais potências do Norte-Nordeste e mobilizou atenção nacional, mesmo ocorrendo no mesmo ano da Taça Brasil, algo que, pelo entendimento jurídico do Náutico, não impede dupla oficialização. Já o Torneio de 1952 contava com oito federações e classificação direta dos campeões estaduais, formato considerado um embrião para competições posteriores.
Marcelo Vinícius destaca que o impacto do reconhecimento vai além da história alvirrubra: “É significativo para todo o futebol norte-nordestino. O Brasil funcionou durante décadas como um grande Norte e Sul. O Náutico teve papel de vanguarda ao impulsionar torneios oficiais e profissionalizar o esporte na região. Os jogadores que participaram dessas conquistas merecem esse reconhecimento.”
Com o dossiê em fase final, o clube se prepara para protocolar oficialmente os pedidos junto à CBF. A expectativa é de que, com documentação robusta, o debate sobre a memória esportiva regional ganhe novo espaço no futebol brasileiro.