Crítica: Episódio 5 de Pluribus mergulha no isolamento devastador de Carol
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Depois do caos emocional dos últimos episódios de Pluribus, da AppleTV, “Got Milk” isola Carol de um jeito quase cruel e obriga a série inteira a girar em torno de seu silêncio e solidão. Nesse processo, o episódio transforma esse “vazio” em um elemento revelador.
Logo no início, acompanhamos o rescaldo da decisão da protagonista de dopar Zosia na tentativa de arrancar respostas sobre a cura. É um movimento desesperado e também um reflexo direto da espiral de frustração construída desde o início. Só que, pela primeira vez, a colmeia reage – não como punição, mas como resultado emocional coletivo.
Ao optarem por se afastar, a série reforça o contraste brutal entre Carol e essa sociedade que funciona como um único organismo. Nos episódios anteriores, vimos como o coletivo prioriza o bem-estar acima de tudo; agora entendemos como esse bem-estar também depende de equilíbrio. Quando Carol viola os limites de Zosia, todo o sistema se retrai de forma quase biológica (e, ao mesmo tempo, profundamente humana).
Sem a colmeia orbitando sua rotina, Carol fica isolada física e emocionalmente, e aqui começam as camadas sutis que deixam claro por que Gilligan escolhe ritmos mais lentos, já que é nesse espaço que Carol revela quem é quando ninguém está olhando. As noites vazias, os lobos rondando o quintal, o desconforto de ouvir a casa respirar na ausência de Helen… tudo isso compõe uma vulnerabilidade que Pluribus vinha segurando desde o início.

Mistério, autonomia e a lenta descoberta do desconforto
Quando Carol começa a investigar a avalanche de caixas de leite — todas contendo a mesma substância estranha — o episódio muda de tom. Pluribus abraça de vez a atmosfera conspiracionista que vinha sugerindo. A investigação leva Carol ao Duke City Dairy e depois a Agri-Jet, culminando no susto diante do conteúdo embalado no depósito frigorífico. A série não mostra o que ela viu, e isso é intencional, já que, aqui, suspender a resposta é parte do jogo.
O episódio também reforça a construção da linha tênue entre autonomia e felicidade. Aqui, Carol finalmente fica sozinha e pode usufruir de seu livre-arbitrio, mas isso não a faz menos triste. Quando ela pede que a colmeia restaure a energia da cidade inteira apenas para dormir com todas as luzes acesas, reafirma-se o poder desproporcional que ela possui e a solidão profunda que sente.
Mesmo afastados, eles atendem. Mesmo magoados, eles obedecem. “O sentimento por você não mudou”, confirmam eles. A colmeia está presa à sua própria programação de benevolência — o que, de novo, ecoa Admirável Mundo Novo: uma sociedade tão voltada ao bem-estar coletivo que se torna incapaz de questionar se esse bem-estar ainda é escolha.
Talvez seja por isso que o afastamento deles machuca mais do que Carol admite. Sem a colmeia, ela precisa enfrentar o silêncio, a solidão e o seu luto de maneira crua. Precisa reconhecer que, por mais que odiasse o excesso de proximidade, ela também se apoiava neles.
Isso fica claro quando ela recorre a eles para cumprir tarefas. Essa contradição dá uma nova camada à personagem e o episódio 5 expande isso sem pressa, sem didatismo e sem diálogos expositivos, só deixando Carol existir em estado bruto.

Pluribus quer construir, não responder
No fim, o eisódio pode até parecer arrastado ou pouco revelador, mas isso faz parte do método Gilligan. É nesse tipo de construção lenta que ele molda seu personagens, expandindo suas nuances até que a explosão narrativa faça sentido. O criador não quer dar respostas (pelo menos, não ainda). Aqui, a construção psicológica dos personagens, suas atitudes e os elementos que aparecem nas entrelinhas são o core principal da série.
Se o que Carol viu no episódio é realmente tão grave quanto a sua reação indica, então talvez este tenha sido o último respiro antes da série avançar para questões muito maiores. Mas, por enquanto, o episódio 5 funciona de forma a tensionar o limite entre conforto e controle, e mostrar, sem pressa, que a protagonista talvez seja a peça menos estável (e mais perigosa) desse novo mundo.
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