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Inclusão no Carnaval: como adaptar a folia para pessoas com autismo

Planejamento, redução de estímulos e respeito aos limites individuais ajudam a tornar a festa mais acessível para pessoas com TEA.

Por Bianca Tavares Publicado em 03/02/2026 às 10:50 | Atualizado em 09/02/2026 às 11:40

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Sabemos que o Carnaval é uma das expressões culturais mais marcantes de Pernambuco, com música alta, cores vibrantes, fantasias e grandes aglomerações.

Para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), portanto, esse conjunto intenso de estímulos pode provocar sobrecarga sensorial e dificultar a participação nas festas. Ainda assim, com informação e planejamento, é possível adaptar a folia e torná-la mais inclusiva.

Pensando nisso, separamos algumas dicas para aproveitar a festa de forma acessível! Confira:

Como curtir a folia?

A psicóloga Frínea Andrade, especialista em autismo e mãe atípica, destaca que pessoas neurodivergentes também têm direito de vivenciar as tradições culturais. Segundo ela, a participação em eventos como o Carnaval contribui para a socialização, o fortalecimento de vínculos e o sentimento de pertencimento.

“Pessoas neurodivergentes também têm o direito de viver as festas e tradições culturais. Participar dessas comemorações é uma forma importante de estimular a socialização, fortalecer vínculos com a comunidade e se conectar com a nossa cultura” afirma.

Pequenas adaptações no ambiente já fazem diferença significativa. Entre as principais orientações estão a criação de espaços mais silenciosos para pausas, longe do som alto e da multidão, além do uso de comunicação visual, como imagens e programações simples, que ajudem na compreensão da dinâmica do evento.

A previsibilidade também é um fator essencial. “Seja nas festas escolares ou em outras programações sociais é fundamental realizar uma aproximação gradual da pessoa com autismo aos estímulos da celebração”.

Histórias sociais, vídeos explicativos sobre a festa e a marcação das datas no calendário ajudam a antecipar o que vai acontecer. Sempre que possível, chegar mais cedo ao local da celebração, quando o ambiente ainda está mais tranquilo, facilita a adaptação.

Para quem apresenta sensibilidade auditiva, abafadores de som são aliados importantes. Eles ajudam a diminuir o impacto do barulho sem impedir totalmente a vivência da festa. A escolha de horários mais calmos e locais menos cheios também contribui para um Carnaval mais confortável.

No ambiente familiar, a recomendação é introduzir os elementos da folia aos poucos. Experimentar a fantasia com antecedência, optar por roupas confortáveis e inserir músicas carnavalescas de forma leve e lúdica ajudam na familiarização. Observar sinais de desconforto e respeitar os limites individuais é fundamental durante todo o processo.

“Incluir pessoas com autismo no Carnaval não significa expô-las a situações de sofrimento, mas oferecer condições para que participem com conforto e segurança. Com informação, planejamento e respeito às diferenças, a festa pode ser vivida de forma mais acessível e acolhedora para todos”, reforça Frínea Andrade.

  • Frínea Andrade é psicóloga especialista em Transtorno do Espectro Autista, com formação em Análise do Comportamento Aplicada. É fundadora e diretora do Instituto Dimitri Andrade, que atende pessoas neurodivergentes da infância à vida adulta, incluindo adultos com nível 2 e 3 de suporte.

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