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Samba, memória e palco: Diogo Nogueira celebra 20 anos de carreira com a turnê "Infinito Samba"

Turnê nacional estreia em 2026, reúne orquestra, novos arranjos e repertório que revisita a trajetória do artista, com shows em 11 capitais do país

Por Pedro Lima Publicado em 16/12/2025 às 22:43

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Samba ocupa o centro da vida e da obra de Diogo Nogueira, que celebra 20 anos de carreira com a turnê “Infinito Samba”, projeto em que o artista revisita sua trajetória a partir da memória familiar, da convivência direta com nomes históricos do gênero e da defesa do samba como linguagem viva e contemporânea.

Com estreia prevista para março de 2026, a venda dos ingressos antecipados já está disponível. O projeto é apresentado pelo Ministério da Cultura e Petrobras, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com realização da Orin Produções e da PECK. O espetáculo percorre diferentes capitais brasileiras e será registrado em audiovisual no encerramento, marcado para o Rio de Janeiro, no Parque Madureira.

No início da sua fala em coletiva de imprensa, nesta terça-feira (16), Diogo deixa claro que sua relação com o samba não nasce de uma escolha, mas de uma vivência cotidiana. “Para mim, o samba é a célula-mãe de tudo. É ele que movimenta, cria e faz tudo acontecer”, afirma. Segundo o cantor, o gênero sempre esteve presente como ambiente, prática e afeto dentro de casa, moldando sua escuta antes mesmo de qualquer decisão profissional.

Casa, memória e o samba como herança

IMAGEM: Priscila Prade
Diogo Nogueira - IMAGEM: Priscila Prade

O avô de Diogo Nogueira é João Batista Nogueira, músico que integrou o circuito do samba no Rio de Janeiro e teve seu nome registrado em livros sobre Noel Rosa, o artista cresceu cercado por relatos e cenas que ajudaram a construir sua identidade musical. “Meu avô teve a oportunidade de tocar com Noel Rosa. Está lá, com nome completo. Tocou com João da Baiana, e o Pixinguinha frequentava a minha casa”, relembra.

Essas histórias chegaram a ele principalmente por meio do pai, que viveu a infância em meio a encontros musicais domésticos. “Meu pai contava que, com oito anos de idade, via o Pixinguinha sentado na poltrona da sala, minha avó servindo, aquela coisa de seresta familiar”, diz. Segundo Diogo, o pai era colocado para dormir, fingia obedecer e depois voltava para observar tudo às escondidas. “Ele falava que olhava pelo buraco da fechadura para assistir às rodas.”

Já em sua própria geração, o cenário se repetiu com outros protagonistas do samba. Diogo recorda que cresceu vendo e ouvindo, dentro de casa, artistas que se tornaram suas referências diretas. “Eu vi Martinho da Vila, Beth Carvalho, Emílio Santiago, Roberto Ribeiro. Eram pessoas que faziam parte do meu convívio”, afirma. As noites atravessavam a madrugada ao som de violões e bandolins. “A gente ia dormir com os instrumentos tocando e acordava com todo mundo jogado na sala, esperando o café da manhã para a festa continuar.”

Tradição viva e compromisso com o presente

IMAGEM: Priscila Prade
Diogo Nogueira - IMAGEM: Priscila Prade

Para Diogo, essa experiência ajuda a explicar por que o samba, embora tradicional, nunca pode ser tratado como algo preso ao passado. “O samba é uma cultura tradicional, mas ele está vivo porque é fundamentalmente contemporâneo. Ele fala com o presente”, afirma. O cantor lembra que o gênero sempre acompanhou seu tempo, desde as primeiras gravações no início do século XX até os dias atuais.

Essa visão orienta diretamente a proposta de “Infinito Samba”. No palco, Diogo será acompanhado por sua banda e por uma grande orquestra, com arranjos inéditos pensados para ampliar a força cênica do espetáculo.

O repertório reúne sucessos de sua carreira, releituras que homenageiam suas influências diretas e novas composições, organizadas em blocos que passam por canções de amor, gafieira e o clima de roda de samba.

Diogo afirma que a preocupação em construir pontes entre passado, presente e futuro acompanha sua carreira desde o início. Ele associa essa postura à observação da trajetória do pai, marcada por dificuldades e pela sensação de falta de reconhecimento em vida. “Ele sempre reclamava que a garotada não reverenciava, que esperavam o artista morrer para fazer homenagem”, conta.

Essa memória se transformou em compromisso artístico. “Minha preocupação sempre foi mostrar que existe um passado que pavimentou uma cidade, um país, e que alguém precisa dar continuidade a essa pavimentação”, afirma.

“Infinito Samba”: 20 anos de carreira

Ao comentar a concepção da turnê, Diogo Nogueira afirma que “Infinito Samba” nasce como uma síntese do que viveu dentro e fora dos palcos ao longo de duas décadas. Para ele, o espetáculo não se limita a uma celebração cronológica da carreira, mas funciona como um retrato afetivo do samba que o formou. “Eu vivo o samba assim, sinto o samba assim. Esse universo todo está entranhado dentro de mim”, diz.

O cantor explica que a proposta do show parte do respeito ao que foi construído pelas gerações anteriores, mas sem abrir mão de dialogar com o tempo presente.

A gente vive num outro tempo, mais tecnológico, com mais informação, e o que eu tento buscar é manter essa chama acesa, trazendo um pouco da modernidade, desse frescor que acontece hoje”, afirma.

No palco, essa ideia se traduz na união entre banda, orquestra, novos arranjos e uma concepção cênica pensada para ampliar a experiência musical sem romper com a tradição do samba.

"Em cada show da turnê, vamos convidar artistas reconhecidos pelo público e jovens artistas para fazer essa junção do novo com o mais experiente", disse Diogo Nogueira.

Cidades da turnê “Infinito Samba”

A turnê “Infinito Samba” terá início em março de 2026 e passará por diferentes capitais brasileiras, com apresentações em todas as regiões do país. O encerramento está previsto para o Rio de Janeiro, no Parque Madureira, onde será realizada a gravação do audiovisual do projeto.

Confira as datas confirmadas:

  • 01/03 – Rio de Janeiro – Farmasi Arena
  • 06/03 – São Paulo – Tokio Marine Hall
  • 14/03 – Belém – local a confirmar
  • 20/03 – Porto Alegre – Auditório Araújo Vianna
  • 27/03 – Curitiba – Teatro Positivo
  • 10/04 – Brasília – Centro de Convenções Ulysses Guimarães
  • 18/04 – Recife – Classic Hall
  • 24/04 – Salvador – local a confirmar
  • 09/05 – Fortaleza – local a confirmar
  • 06/06 – Belo Horizonte – BeFly Hall
  • 20/06 – Rio de Janeiro – Parque Madureira (gravação do audiovisual)

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