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Ataque terrorista abala sensação de segurança na Austrália, afirma jornalista correspondente em Sydney

Em entrevista ao Passando a Limpo, Ana Flávia da Câmara falou sobre o clima de luto, insegurança e retomada cautelosa da rotina em Sydney

Por Eduardo Scofi Publicado em 15/12/2025 às 11:11 | Atualizado em 15/12/2025 às 12:08

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Durante entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, nesta segunda-feira (15), a jornalista Ana Flávia Rangel da Câmara, que vive há nove anos em Sydney, relatou os desdobramentos do ataque a tiros ocorrido na praia de Bondi, um dos principais cartões-postais da Austrália.

A ação deixou 16 mortos, sendo 15 vítimas e um dos suspeitos, além de dezenas de feridos, e foi classificada pelas autoridades como ato terrorista.

Ataque durante celebração judaica

O ataque aconteceu no domingo (14), durante a celebração do primeiro dia do festival judaico de Hanukkah, em uma área aberta e bastante movimentada. Segundo a jornalista, o alvo da ação não foi aleatório. “O alvo deles não era qualquer pessoa na praia. Era exclusivamente os frequentadores de um festival judaico.”

O comissário da polícia de Nova Gales do Sul, Mal Lanyon, classificou o episódio como um “incidente terrorista”. O primeiro-ministro do estado, Chris Minns, confirmou que o ataque foi planejado para atingir a comunidade judaica de Sydney. Já o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, afirmou que as imagens do atentado são “angustiantes e chocantes”.

Ana Flávia descreveu momentos de pânico após o início dos disparos e a chegada da polícia. “Na hora você só escuta tiro, grito e correria. Você não sabe quantas pessoas estão armadas ou para onde correr”, afirmou. Com o fechamento das ruas ao redor da praia, moradores e comerciantes ajudaram a abrigar pessoas que fugiam do local.

A jornalista também descreveu o clima de choque no dia seguinte ao ataque. “As pessoas iam chegando para trabalhar e se abraçando. Era um alívio ver quem não tinha estado lá”, relatou, destacando que a sensação de segurança foi profundamente abalada mesmo com a retomada da rotina.

Comoção no país e críticas ao governo

Para a jornalista, o ataque causou forte comoção no país. “Os australianos são muito orgulhosos de viver em um país pacífico. Isso não é o tipo de coisa que acontece aqui”, disse. Ela destacou que, desde 1996, após um massacre na Tasmânia, a Austrália adotou leis rígidas de controle de armas, o que torna episódios como esse raros.

A entrevista também abordou críticas ao governo australiano por não ter reforçado a segurança em eventos judaicos, apesar de registros anteriores de ataques isolados. Após o atentado, estados australianos passaram a reforçar o policiamento em áreas com presença da comunidade judaica.

O caso segue sob investigação. O diretor-geral da inteligência australiana afirmou que o nível de ameaça terrorista no país permanece classificado como “provável”, enquanto as autoridades apuram se há outras pessoas envolvidas.

Sobre os autores

As autoridades confirmaram que os autores do ataque eram pai e filho. O pai, de 50 anos, morreu durante a ação policial. O filho, de 24 anos, foi ferido, detido e segue hospitalizado em estado estável. A polícia descartou a participação de uma terceira pessoa.

Segundo Ana Flávia Rangel da Câmara, após a ação, “encontraram um carro cheio de explosivos, deles, do pai e do filho”. No veículo, também foi localizada uma bandeira do Estado Islâmico.

Imagens que circularam nas redes sociais mostram um dos atiradores sendo desarmado por um civil, que conseguiu tomar o fuzil do agressor. O primeiro-ministro estadual descreveu a cena como “inacreditável”, destacando a coragem do homem. Ferido durante a ação, ele precisou ser internado e passou por cirurgia.

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