Ataque terrorista em Sydney: Tiroteio em Bondi Beach deixa 16 mortos durante evento judaico
O ataque ocorreu neste domingo (14) na praia de Bondi, em Sydney, Austrália, resultando também em 11 pessoas feridas, incluindo dois policiais
Clique aqui e escute a matéria
Com informações do Estadão Conteúdo
Um ataque a tiros neste domingo (14/12) na praia de Bondi, uma das mais famosas de Sydney, na Austrália, deixou 16 mortos e diversos feridos, incluindo dois policiais. Um dos suspeitos morreu e o outro foi detido em estado crítico.
O ataque aconteceu durante a celebração do primeiro dia do festival judaico de Hanukkah. Vinte e nove pessoas foram levadas para diversos hospitais na região de Sydney, incluindo os dois policiais feridos. De acordo com a polícia, o estado de saúde desses agentes e dos demais feridos é grave, embora haja diferentes níveis de seriedade.
O comissário da polícia de Nova Gales do Sul, Mal Lanyon, classificou o evento como um "incidente terrorista". Posteriormente, o primeiro-ministro de Nova Gales do Sul, Chris Minns, confirmou que o ataque foi planejado para atingir a comunidade judaica de Sydney. O primeiro-ministro Anthony Albanese também se manifestou, classificando as imagens de Bondi como "angustiantes e chocantes".
"Estamos cientes de uma situação de segurança ativa em Bondi. Pedimos às pessoas nas proximidades que sigam as informações da Polícia de Nova Gales do Sul. Duas pessoas estão sob custódia da polícia; no entanto, a operação policial continua em andamento e seguimos orientando as pessoas a evitarem a área. Por favor, obedeçam todas as ordens da polícia. Não ultrapassem os bloqueios policiais", publicou a polícia de Nova Gales do Sul em sua conta oficial no X (antigo Twitter).
ATIRADOR É DESARMADO POR UM 'CIDADÃO HERÓI'
Imagens que circulam nas redes sociais mostram um dos atiradores sendo desarmado por uma pessoa após os ataques. Com coragem, o homem chega por trás do atirador e o rende, conseguindo tomar o fuzil que carregava e o rende.
"É a cena mais inacreditável que já vi: um homem se aproximando de um atirador que havia disparado contra a comunidade e, sozinho, o desarmando, colocando sua própria vida em risco para salvar a vida de inúmeras outras pessoas", disse Chris Minns.
Mike Burgess, diretor-geral da inteligência australiana (ASIO) disse que a agência está analisando a identidade dos atiradores e se existe "alguém na comunidade que tenha intenção semelhante". "É importante ressaltar que, neste momento, não temos qualquer indicação disso, mas trata-se de algo que está sendo investigado ativamente", afirmou.
Segundo ele, o nível de ameaça terrorista na Austrália permanece como "provável". "Não vejo isso mudando neste estágio. Provável significa que há 50% de chance de um ato terrorista. Infelizmente, vimos esse ato horrível ocorrer hoje à noite na Austrália."
O massacre de Port Arthur, ocorrido em 1996, na Tasmânia — quando 35 pessoas foram mortas por um atirador — levou o governo australiano a endurecer drasticamente as leis sobre armas. Por causa dessas restrições, as mortes em ataques a tiros em massa são consideradas extremamente raras na Austrália.
AUTORES DO ATAQUE ERAM PAI E FILHO, DIZ POLÍCIA
As autoridades policiais australianas confirmaram que os autores do ataque antissemita na praia de Bondi eram pai e filho. O pai, de 50 anos, foi morto pelas autoridades. O filho foi detido e sofreu ferimentos, mas sua condição é estável.
Em entrevista coletiva, o comissário da polícia de Nova Gales do Sul, Mal Lanyon, descartou a possibilidade de uma terceira pessoa no ataque.
O mais velho dos suspeitos tinha licença para seis armas por pelo menos dez anos, e todas foram recuperadas pela polícia. Nenhum dos dois suspeitos tinha antecedentes criminais.
Dois "aparelhos explosivos improvisados" foram encontrados no local e desarmados pela polícia.
FEDERAÇÃO ISRAELITA REPUDIA ATENTADO
A Federação Israelita de Pernambuco repudiou o atentado em Sydney. Confira a nota divulgada neste domingo (14). Na nota, a entidade repudia a violência e o preconceito.
“Repudiamos, de forma veemente, o terrível ataque perpetrado contra a comunidade judaica australiana durante a celebração de Chanuká (ou Hanukkah). Todos aqueles que apoiam organizações terroristas e antissemitas, ou mesmo se omitem, dão espaço, fortalecem e se tornam também responsáveis por ações brutais dessa natureza.
Percebe-se, claramente, a forte ligação entre o antissionismo e o antissemitismo, uma vez que o alvo atingido neste ato foi uma comunidade australiana judaica e não o sionismo que defende a existência do Estado de Israel. A Comunidade Judaica de Pernambuco se ressente também da discriminação existente em relação a seus membros, face aos discursos antissionistas que abrigam no seu interior o antissemitismo.
Que as luzes de Chanuká inspirem a comunidade internacional a fazer prevalecer a razão, o compromisso com a vida e a diversidade, diante das trevas do obscurantismo!”.