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Moraes autoriza assessor do governo Trump a visitar Bolsonaro

A presença de Beattie no Brasil carrega um forte peso político e diplomático. O assessor é um crítico contundente da atuação do Judiciário brasileiro

Por JC Publicado em 10/03/2026 às 22:15

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou nesta terça-feira (10) que Darren Beattie, assessor sênior do governo de Donald Trump para políticas voltadas ao Brasil, realize uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro cumpre pena no Complexo da Papudinha, em Brasília, onde o regime de visitas depende de autorização direta do relator do processo no STF.

De acordo com a decisão, o encontro foi agendado para o dia 18 de março, no período das 8h às 10h. Moraes indeferiu o pedido da defesa de Bolsonaro, que solicitava que a visita ocorresse de forma excepcional nos dias 16 ou 17 de março, datas fora do cronograma padrão da unidade prisional. Em seu despacho, o ministro ressaltou que não existe previsão legal para tal alteração, enfatizando que os visitantes devem se submeter às normas e à organização administrativa do sistema carcerário para garantir a segurança da instituição.

PRESENÇA NO BRASIL

A presença de Beattie no Brasil carrega um forte peso político e diplomático. O assessor é um crítico contundente da atuação do Judiciário brasileiro, tendo anteriormente classificado Moraes como o principal responsável por uma suposta perseguição e censura contra aliados de Bolsonaro. O clima de tensão entre as autoridades brasileiras e o governo Trump se intensificou em 2025, quando o governo dos Estados Unidos chegou a impor sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, sob a acusação de autorizar detenções arbitrárias e suprimir a liberdade de expressão no país.

Além do encontro com o ex-presidente, a agenda de Darren Beattie inclui a participação em um evento sobre minerais críticos em São Paulo. O pano de fundo da visita também envolve debates sensíveis em Washington sobre a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas estrangeiras. Essa possibilidade é vista com reserva pelo governo brasileiro, que teme que tal designação possa abrir precedentes para intervenções externas em território nacional. Durante a visita autorizada, Beattie poderá contar com o auxílio de um intérprete, cujos dados devem ser fornecidos previamente às autoridades competentes.

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