Cidadania em Pernambuco "volta a marchar" com Raquel Lyra após mudança no comando estadual
Em entrevista ao JC, o dirigente estadual João Freire diz que decisão judicial anulou intervenção e anuncia congresso para definir direção do partido
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Após o desfecho da disputa interna no plano nacional, o Cidadania passou por uma reorganização no comando em Pernambuco e retomou o alinhamento político com a governadora Raquel Lyra (PSD).
Em entrevista ao JC, o presidente estadual do partido, João Freire, afirmou que decisões judiciais anularam os atos da antiga direção e restabeleceram a composição política anterior.
O alinhamento com Raquel Lyra já ocorreu em 2022, quando o Cidadania integrou a aliança que elegeu a governadora. À época, a atual vice-governadora, Priscila Krause, era filiada à legenda.
Segundo João Freire, a mudança em Pernambuco é consequência direta da crise nacional do partido, que envolveu a disputa pela presidência entre Roberto Freire e Comte Bittencourt.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu não intervir no conflito, por considerá-lo uma questão interna, o que acabou validando os efeitos da decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), que reconduziu Roberto Freire ao comando da legenda.
Direção anulada
De acordo com João Freire, a direção nacional então liderada por Comte Bittencourt havia orientado o Cidadania a se aproximar do PSB e discutir uma federação com o partido do prefeito do Recife, João Campos.
Aliado político de Raquel Lyra, João Freire afirmou que deixou claro que não permaneceria no partido caso esse fosse o rumo adotado.
“Quando a Justiça determinou o retorno de Roberto Freire à presidência nacional, todos os atos dessa direção passaram a ser juridicamente nulos. Como foi essa mesma direção que promoveu a intervenção em Pernambuco, o meu retorno ao comando estadual é uma consequência jurídica direta dessa decisão”, afirmou.
Com isso, também perderam validade as decisões que tinham colocado Cláudio Carraly à frente do diretório estadual.
“O objeto jurídico dessa contestação já nasce nulo, porque a própria direção que o nomeou foi anulada”, disse.
Ex-dirigente contesta e anuncia reação judicial
Em nota divulgada no domingo (22), Cláudio Carraly repudiou a decisão do dirigente nacional Roberto Freire, que destituiu toda a direção estadual e nomeou João Freire para o comando do partido no Estado. Segundo ele, a medida é “ilegal, desrespeitosa e incompatível com a trajetória histórica” da legenda.
Carraly afirmou que o diretório afastado não foi resultado de “indicação cartorial ou arranjo burocrático”, mas de um processo político construído ao longo de quatro meses, com a realização de 18 congressos municipais, culminando no XXI Congresso Estadual do Cidadania em Pernambuco.
“Não aceitaremos que esse processo coletivo, legítimo e democrático seja desconsiderado por decisão monocrática, sem diálogo com a base e sem respeito às instâncias partidárias”, afirmou.
Na nota, o ex-dirigente sustenta ainda que confia na atuação da Justiça Eleitoral e anunciou que irá adotar medidas judiciais para tentar reverter a decisão. “Seguimos confiantes nas garantias legais que protegem a autonomia das instâncias partidárias e a vontade democrática de seus filiados”, concluiu.
‘Vamos marchar com Raquel’
Apesar da contestação, João Freire afirmou ao JC que a nota não deve produzir efeitos jurídicos, uma vez que a direção que nomeou Carraly foi anulada por decisão judicial.
Segundo ele, o retorno ao comando estadual não decorre de uma decisão política, mas de um efeito jurídico da decisão nacional que anulou a intervenção anterior.
João Freire afirmou ainda que o Cidadania já retomou o controle formal da legenda no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e deve convocar, nos próximos dias, um congresso estadual para eleger uma nova direção definitiva.
“O Cidadania volta a estar com Raquel Lyra porque a Justiça determinou o restabelecimento da composição anterior. Já retomamos o partido no TRE e vamos marchar com Raquel. Vamos retomar a estrutura, lançar candidatos e fazer política”, declarou
A reorganização encerra, ao menos neste momento, o impasse interno do Cidadania em Pernambuco e reposiciona o partido no cenário estadual, em meio à antecipação da disputa pelo Governo do Estado, que deve ser polarizada entre João Campos e Raquel Lyra nas eleições de 2026.