Raquel Lyra reage a pedido de impeachment: "Não se mexe com a honra de pessoas honradas"
Governadora falou pela primeira vez sobre pedido de impeachment, afirmando que trajetória fala por si e que está pronta para qualquer debate
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Em sua primeira manifestação pública após o pedido de impeachment protocolado na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), a governadora Raquel Lyra (PSD) afirmou, nesta terça-feira (20), que está tranquila e pronta para qualquer debate, mas reagiu às acusações dizendo que “não se mexe com a honra de pessoas honradas”.
A declaração foi feita durante discurso no encontro da Associação dos Municípios de Pernambuco (Amupe), em Gravatá, diante de prefeitos e lideranças municipais de todo o Estado.
O pedido de impeachment foi apresentado na segunda-feira (19) pelo deputado estadual Romero Albuquerque (União Brasil) e será analisado a partir do dia 2 de fevereiro, com a retomada dos trabalhos legislativos. No documento, o deputado acusa a governadora de omissão na fiscalização da empresa de transporte intermunicipal Logo Caruaruense, ligada ao ex-governador João Lyra Neto, pai da governadora.
Raquel se defende de ataques e critica opositores: "Minha trajetória fala por mim"
Ao tratar do tema, Raquel evitou comentar diretamente o mérito da denúncia, mas disse não ter receio de responder sobre sua vida e sua gestão. A governadora também afirmou que está preparada para o debate político e institucional, mas enfatizou que não vai tolerar ataques pessoais.
“Ontem apresentaram um pedido de impeachment. Eu não vou falar sobre o mérito disso, porque a minha trajetória fala por mim. A trajetória da minha família fala por mim. Eu não tenho nenhum receio de responder sobre tudo aquilo que diz respeito à minha vida e à minha gestão”, afirmou.
“Estou pronta para qualquer tipo de debate. Não tenho medo de falar sobre temas que são ariscos, nem na gestão nem daquilo que quiser, porque só pode ser da gestão. Ninguém vai falar sobre minha vida pessoal, não tem o que falar. Agora, não se mexe com a honra de pessoas honradas”, complementou.
Durante o discurso, Raquel adotou um tom pessoal ao mencionar sua trajetória familiar e sua experiência na vida pública. Disse que aprendeu com seu pai, ainda na infância, sobre a pressão enfrentada por gestores públicos e afirmou que dorme "com a cabeça tranquila" em relação às decisões que toma à frente do governo.
"Eu durmo todos os dias com a cabeça tranquila. Tem muita gente que não consegue dormir à noite. Eu encosto a cabeça no travesseiro e durmo. E acordo cedo no outro dia para trabalhar, feliz", disse.
A governadora também relembrou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que chegou a ser instalada em agosto de 2025, afirmando que não foram encontradas irregularidades. Segundo Raquel, após a abertura da CPI, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) produziu um relatório no qual não apontou problemas, além de decisões judiciais favoráveis em diferentes instâncias.
Raquel também associou o pedido de impeachment ao ambiente político atual e à disseminação de desinformação.
“Nós estamos sujeitos a muita coisa nessa era de fake news. Na política isso é até comum, embora não seja normal, das pessoas brincarem com a biografia dos outros. Com a minha, não”, declarou, acrescentando que seguirá trabalhando “feliz” e focada na gestão.
A governadora também aproveitou para defender sua atuação à frente do Governo de Pernambuco, afirmando que não está vinculada a projetos pessoais de poder ou a disputas eleitorais.
“Nunca foi pelo cargo, nunca foi pela próxima eleição. Nós estamos em período de trabalho. Eleição é eleição”, disse, ao defender que o debate político ocorra “dentro das quatro linhas da democracia”.
Entenda o caso
O pedido de impeachment apresentado por Romero Albuquerque sustenta que houve omissão deliberada do governo estadual na fiscalização da empresa de transporte intermunicipal Logo Caruaruense, afirmando que a empresa teria operado sem cumprir exigências legais, como vistorias técnicas obrigatórias, limites de idade da frota e regularidade administrativa.
No requerimento, o parlamentar afirma que a fiscalização do transporte intermunicipal é atribuição do Governo de Pernambuco, por meio da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI), e sustenta que a inércia do poder público pode caracterizar crime de responsabilidade. Romero nega que a iniciativa represente ataque pessoal à governadora e afirma que a denúncia se baseia em documentos e relatórios técnicos.
A Presidência da Alepe confirmou o recebimento do requerimento e informou que a análise seguirá os trâmites regimentais e constitucionais, com início após o recesso legislativo. Até lá, não haverá movimentação formal sobre o pedido.