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Aliados veem "bom gesto" em transferência de Bolsonaro para a Papudinha; Michelle mantém defesa da prisão domiciliar

Entorno do ex-presidente relata melhora nas condições após decisão de Moraes, enquanto defesa e Michelle mantêm pressão por prisão domiciliar

Por Estadão Conteúdo, Pedro Beija Publicado em 16/01/2026 às 18:57

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*Com informações de Estadão Conteúdo

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) avaliaram como um “bom gesto” a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a transferência do ex-chefe do Executivo da Superintendência da Polícia Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, no Complexo da Papuda, em Brasília.

Segundo o Estadão, relatos de pessoas próximas à família apontam que Bolsonaro teria reagido de forma positiva à mudança, interpretando a decisão como um avanço em relação às condições anteriores de custódia. A avaliação foi compartilhada por aliados que estiveram com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na noite da transferência, ocorrida na quinta-feira (15).

A Papudinha abriga presos policiais e pessoas politicamente expostas e dispõe de instalações classificadas como Sala de Estado Maior. De acordo com aliados, a mudança representa ganho em qualidade de vida, embora o grupo evite manifestações públicas de comemoração para não enfraquecer a estratégia de defesa que busca a concessão de prisão domiciliar humanitária.

Reservadamente, aliados afirmam que o objetivo segue sendo a transferência de Bolsonaro para prisão domiciliar em sua residência, em um condomínio de Brasília. Ainda assim, avaliam que as condições da cela na Papudinha são superiores às da Superintendência da PF. Um interlocutor classificou a mudança como melhora na “condição mínima de bem-estar”, enquanto outro descreveu o espaço como “absurdamente melhor”, embora ressalte que “não há o que comemorar”.

O entorno do ex-presidente deposita expectativa na realização de uma perícia médica por uma junta da Polícia Federal, que deverá avaliar o estado de saúde de Bolsonaro antes da análise, por Moraes, de um novo pedido de prisão domiciliar. A decisão do ministro prevê que o exame seja feito previamente.

A perícia poderá subsidiar eventuais adaptações na acomodação de Bolsonaro na Sala de Estado Maior ou até a necessidade de transferência para um hospital penitenciário. A defesa solicitou ao STF a concessão de prisão domiciliar humanitária e a realização de uma nova avaliação médica independente, em caráter de urgência, para verificar a compatibilidade do estado clínico do ex-presidente com o ambiente prisional.

Apesar do alívio manifestado em conversas reservadas, aliados têm criticado publicamente a decisão. O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou nas redes sociais que o País vive sob um “regime de arbítrio judicial”. Em publicação, classificou a transferência como “punição política” e “vingança travestida de legalidade”.

O vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC), filho de Jair Bolsonaro, também criticou a decisão e descreveu a Papudinha como um “ambiente prisional severo”. Para ele, a transferência, somada ao estado de saúde do pai, representa um “marco simbólico de confronto institucional”, com impactos que extrapolariam a figura do ex-presidente.

Na decisão que autorizou a mudança, Alexandre de Moraes mencionou a existência de uma “campanha fraudulenta” contra o Judiciário e citou reclamações feitas por familiares sobre as condições da custódia anterior. O ministro afirmou que, embora Bolsonaro desfrutasse de “privilégios” na Superintendência da PF, a transferência busca reduzir tensões e garantir melhores condições.

Moraes elencou as características da Sala de Estado Maior na Papudinha, que conta com espaço ampliado, banheiro privativo com água quente, ar-condicionado, TV, frigobar, acompanhamento médico 24 horas, autorização para fisioterapia, banho de sol diário e exclusivo, além de protocolo especial para entrega de alimentação caseira.

Michelle agradece PF, mas reforça luta pela prisão domiciliar

Um dia após comemorar a transferência, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a defender publicamente a concessão de prisão domiciliar ao marido. Em publicação nas redes sociais, afirmou que, embora as novas instalações sejam “menos prejudiciais à saúde” e tragam “mais dignidade”, a família seguirá lutando para levá-lo para casa.

Michelle agradeceu à Polícia Federal pelos cuidados prestados durante o período em que Bolsonaro esteve sob custódia na Superintendência da PF, destacando o auxílio com medicações e refeições. Segundo ela, a transferência foi resultado de uma articulação da qual participou diretamente.

Na mesma postagem, Michelle pediu aos apoiadores que não utilizem sua atuação como esposa do ex-presidente com fins políticos. Em um texto com referências religiosas, afirmou que continuará confiando em Bolsonaro e pediu apoio aos seguidores.

Na decisão, Moraes também destacou que a transferência amplia o tempo de visitas, de duas para seis horas, e aumenta o número de refeições diárias, de três para cinco. A sala ocupada por Bolsonaro na Papudinha tem área total de 64,8 metros quadrados, com quarto, sala, banheiro, cozinha, lavanderia e área externa. Na Superintendência da PF, o espaço era de cerca de 12 metros quadrados, restrito a quarto e banheiro.

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