Executiva nacional do PSDB lamenta desfiliação em massa em Pernambuco: "Ato de extrema deslealdade"
Em nota, PSDB justificou decisão de intervenção no diretório estadual, afirmando que Raquel Lyra exercia "comando indireto" na legenda em Pernambuco

Vivendo nova crise, o PSDB se manifestou sobre a situação atual do partido em Pernambuco. Em nota publicada nesta quinta-feira (3), a executiva nacional justificou a intervenção no diretório estadual, que agora passa a ser liderado pelo deputado Álvaro Porto (PSDB). O partido também lamentou a desfiliação em massa de prefeitos e lideranças, consideradas "ato de extrema deslealdade".
Em nota, o PSDB Nacional afirmou que a decisão pela intervenção teve "base em critérios jurídicos e políticos claros", destacando a independência do partido em relação à gestão estadual. O partido também afirmou que a governadora Raquel Lyra (PSD) exercia "comando indireto" na legenda a nível estadual, o que tornou necessária a reorganização partidária.
Executiva nacional vê "ato de extrema deslealdade" após desfiliação em massa
Na noite da quarta-feira (2), após o anúncio da intervenção e da nomeação do deputado estadual Álvaro Porto (PSDB) para a presidência da nova comissão, o ex-presidente da legenda em Pernambuco, Fred Loyo, e a vice-governadora Priscila Krause, lideraram uma desfiliação em massa do partido, que foi seguida por 32 prefeitos.
A desfiliação foi lamentada pela executiva nacional do PSDB, que considerou "ato de extrema deslealdade", destacando as saídas de prefeitos que, segundo o partido, foram beneficiados com milhões de reais do fundo eleitoral" do PSDB. A executiva também destacou que o movimento já era esperado.
"A recente desfiliação de membros do PSDB no estado, incluindo prefeitos que foram beneficiados com milhões de reais do fundo eleitoral nacional tucano, configura um ato de extrema deslealdade. Ainda assim, o movimento já era esperado", disse o partido, em nota.
O partido também reafirmou a posição de apoio à nova diretoria, agora liderada por Álvaro Porto, presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).
Álvaro Porto dá versão sobre intervenção no PSDB em PE
Em entrevista à Rádio Folha, nesta quinta-feira, Álvaro Porto acusou a governadora Raquel Lyra e aliados de terem "usado" o PSDB. Raquel deixou o partido no dia 10 de março, para se filiar ao PSD.
"Todos tem conhecimento que na véspera da governadora ingressar no PSD, já vinha dando declarações que o PSDB era um partido pequeno, que teria que ir para um partido maior, que o fundo eleitoral do PSDB não era o mesmo montante de um partido maior, que é o PSD. Agora engraçado que o PSDB não foi um partido pequeno para eleger ela a prefeita e a governadora. O partido foi usado por Raquel Lyra", disse.
Álvaro também criticou a vice-governadora Priscila Krause, que havia entrado no partido no dia anterior da filiação de Raquel ao PSD. De acordo com o deputado estadual e agora presidente da comissão interventora do PSDB-PE, Raquel pretendia tornar o partido um "puxadinho do PSD", com a filiação de Priscila.
"Na véspera da filiação, ela (Raquel) tentou de todas as maneiras segurar o partido. Filiou a atual vice-governadora Priscila Krause, para querer até que o partido fosse um puxadinho do PSD. E o PSDB é um partido grande, que tem nome", criticou.
"Nos 15 dias que a vice-governadora ficou no PSDB, usou o partido para fazer propaganda de uma pessoa que não era mais filiada ao PSDB. Raquel Lyra não estava mais filiada ao PSDB. E as inserções foram usadas indevidamente em prol de uma pessoa que não era do partido e de um governo que não fazia mais parte do PSDB. Então esses motivos foi que levaram a essa intervenção", complementou.
Confira a nota da executiva nacional do PSDB, na íntegra:
"Nota oficial - PSDB Nacional
A decisão do PSDB de intervir em seu diretório estadual de Pernambuco foi tomada com base em critérios jurídicos e políticos claros, entre eles o de garantir a independência do partido em relação ao governo estadual. A governadora Raquel Lyra deixou o PSDB, mas seguia exercendo comando indireto sobre a legenda em Pernambuco, o que tornou necessária a reorganização partidária.
A recente desfiliação de membros do PSDB no estado, incluindo prefeitos que foram beneficiados com milhões de reais do fundo eleitoral nacional tucano, configura um ato de extrema deslealdade. Ainda assim, o movimento já era esperado.
Com a posse do presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Álvaro Porto, na presidência do partido em Pernambuco, o PSDB se reorganiza com altivez e foco em 2026. A nova direção está comprometida em preparar o partido para participar da chapa majoritária — para o governo e o Senado — e também para formar uma chapa competitiva de candidatos a deputado federal e estadual"