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Simão Durando cobra Raquel Lyra por mais diálogo para tratar assuntos de Petrolina: 'tem que deixar palanque de lado'

Na oposição, prefeito reclama que governadora não está abrindo espaço para a gestão municipal: 'não é demanda do prefeito, é do povo'

Por Rodrigo Fernandes Publicado em 03/04/2025 às 13:47 | Atualizado em 03/04/2025 às 15:41

O prefeito de Petrolina, Simão Durando (União Brasil), vem reclamando de falta de diálogo por parte da governadora Raquel Lyra (PSD) para recebê-lo e tratar dos assuntos de interesse da cidade.

Segundo o gestor, ele vem tentando marcar agendas com a governadora desde 2024 para repassar demandas da população, mas afirma não ter recebido espaço para conversa.

Simão Durando é aliado do presidente estadual do União Brasil, o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, que tornou-se aliado de João Campos (PSB) após não obter espaço no governo estadual de Raquel.

Na visão dele, a governadora não deveria misturar assuntos políticos com as demandas da população da cidade, que tem mais de 400 mil habitantes.

“A gente tem essa dificuldade de relacionamento. Estou desde o ano passado querendo um horário com a governadora para levar as demandas da população. Não é demanda do prefeito, é do povo. E ela não atende”, reclamou Simão em conversa com o JC.

A última vez em que Simão e Raquel se encontraram foi na inauguração de uma subestação da Neoenergia em Petrolina, no mês de janeiro. Segundo Durando, ele tentou abrir um novo diálogo durante esse encontro, mas não obteve retorno.

“Eu falei 'governadora, marque um horário, preciso despachar algumas coisas de interesse da população. Minha briga não é com a senhora, não é uma coisa pessoal', mas até agora nada”, relatou.

Reivindicações do prefeito

Entre as principais solicitações do prefeito a nível estadual estão a necessidade de aumento no efetivo da Polícia Militar na cidade, a construção de um hospital estadual que atenda a região, além da resolução da falta de água.

O prefeito reclama que, dos R$ 12 milhões arrecadados pela Compesa na cidade, somente R$ 2 ficam no município, e R$ 10 vão para os cofres do estado.

“Como é que eu explico para a população que está faltando água em 52 bairros de Petrolina e a gente com o Rio São Francisco aqui. E eu não culpo os funcionários da Compesa, eles não tem como fazer nada sem recurso”, disparou.

Outra reivindicação de Durando é sobre investimentos no São João da cidade. No ano passado, o governo estadual destinou R$ 500 mil para a festa, considerado “muito pouco” pelo prefeito.

“Esse ano estamos tentando sinalização de recursos. A Empetur ficou de ajudar, mas até agora não informou qual vai ser o valor. A gente está fazendo uma festa para o povo, mantendo as tradições”, disse.

Diferenças políticas

O grupo político a que Simão pertence está na oposição ao governo Raquel Lyra. Ele foi vice-prefeito de Miguel Coelho e assumiu a cidade em 2022, quando o então gestor deixou o cargo para disputar o governo estadual. No ano passado, foi reeleito para o segundo mandato.

Liderados por Miguel, o grupo passou a integrar a base do prefeito João Campos, possível adversário de Raquel na eleição de 2024.

“A gente tem que deixar os palanques e as questões partidárias de lado. A gente está lá para dialogar e resolver as coisas das cidades da melhor forma", defendeu Simão.

“Ela é a governadora do estado de Pernambuco, sabe as dificuldades dos prefeitos… custa alguma coisa escutar nossos pedidos? Estou levando as mensagens do povo de Petrolina, ela tem que escutar”, completou o prefeito.