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Imóvel em área de risco: saiba como identificar danos e proteger a estrutura

Com prejuízos de R$ 3,9 bi em 2025, especialistas alertam que a prevenção exige estudos de solo e drenagem antes do surgimento de danos estruturais

Por Maria Clara Trajano Publicado em 01/04/2026 às 15:28

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Nos primeiros meses de 2026, o Brasil registrou mais de 1,1 milhão de pessoas afetadas por temporais, resultando em 25 mil desabrigados e desalojados.

O cenário de vulnerabilidade é agravado por um dado histórico: nas últimas quatro décadas, a ocupação de áreas suscetíveis a deslizamentos no País saltou de 14 mil para mais de 43 mil hectares, segundo o MapBiomas.

Especialistas apontam que a recorrência de danos em imóveis urbanos revela uma negligência técnica que precede o período de chuvas, concentrando-se na ausência de estudos de solo e falhas de fundação.

Engenharia preventiva e falhas comuns

Para o engenheiro civil Francisco Machado, especialista em gestão de obras, a chuva atua como um gatilho para problemas já instalados na construção. O erro mais frequente é a falta de sondagem do terreno, o que resulta em estruturas erguidas sobre bases instáveis.

“O maior erro é tentar resolver depois que o problema aparece. Quando surgem rachaduras, afundamento ou deslocamento de piso, a estrutura já está reagindo a uma falha anterior. O risco começa no solo”, afirma Machado.

Quando o imóvel já está consolidado em área crítica, a engenharia corretiva torna-se a única saída. As intervenções exigem desde o reforço de fundações até a implementação de sistemas de drenagem profunda para controlar a infiltração de água, fator principal de instabilidade em encostas.

Sinais de alerta na estrutura

A identificação precoce de movimentações estruturais é essencial para evitar colapsos. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) emitiu mais de 2.500 alertas geo-hidrológicos em 2025. Proprietários devem estar atentos a sinais que indicam que a estrutura está reagindo à pressão do solo ou ao excesso de umidade:

  • Esquadrias desalinhadas: portas e janelas que apresentam dificuldade repentina para abrir ou fechar.
  • Fissuras diagonais: rachaduras que cruzam paredes, geralmente partindo dos cantos de aberturas.
  • Alterações no piso: estufamentos, trincas sem causa aparente ou desníveis progressivos no chão.
  • Muros e taludes: surgimento de fendas no terreno ou inclinação de muros de divisa.

“Quando o piso levanta ou trinca sem motivo aparente, já mostra que existe deslocamento em curso. É um alerta importante”, reforça o engenheiro.

Como reduzir a exposição ao risco

Embora a eliminação total do risco nem sempre seja possível em áreas de alta vulnerabilidade, ações técnicas ajudam a mitigar a exposição do patrimônio e dos moradores:

  • Avaliação técnica: contratação de perícia de engenharia para identificar a estabilidade da fundação.
  • Controle de escoamento: manutenção de calhas e condutores para evitar que a água da chuva infiltre diretamente na base da casa.
  • Interdição de cortes: evitar escavações no pé de taludes sem projeto de contenção (muros de arrimo).
  • Monitoramento do entorno: observar árvores ou postes inclinados na vizinhança, que indicam movimentação de solo.

A recorrência de desastres no Brasil aponta para a necessidade de uma mudança na cultura construtiva, priorizando a estabilização do terreno antes da ocupação da superfície. As informações são baseadas em dados do Cemaden, MapBiomas e levantamentos municipais de 2025 e 2026.

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