Mais de 40 mil pessoas vivem em áreas de risco em Paulista; veja locais críticos mapeados pelo governo federal
Plano de Redução de Riscos foi desenvolvido pelo Serviço Geológico do Brasil em parceria com o Ministério das Cidades e a Defesa Civil de Paulista
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Em Paulista, mais de 40 mil pessoas vivem em áreas de risco. De inundações e erosão do solo a deslizamento de barreiras, são mais de 10 mil imóveis em situação de vulnerabilidade no município.
Os dados são do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), desenvolvido pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) em parceria com a Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades e com apoio da Defesa Civil de Paulista, apresentado à população em audiência pública nesta terça-feira (24).
O documento conta com um diagnóstico técnico e um plano de ação estruturado para guiar políticas públicas, obras e intervenções na cidade e prevenir desastres.
O levantamento mapeou 174 áreas de risco geológico em Paulista, sendo sete delas com risco Muito Alto (R4), 118 com risco Alto (R3) e 49 com risco médio (R2).
Entre os bairros mais expostos aos alagamentos e enchentes estão:
- Nossa Senhora da Conceição
- Jardim Paulista
- Pau Amarelo
- Maranguape I e II
- Fragoso I e II
- Engenho Maranguape
- Jardim Maranguape
- Paratibe
Outros 114 setores estão associados a deslizamentos, principalmente nos bairros:
- Torres Galvão
- Hermes da Fonseca
- Jardim Paulista
- Arthur Lundgren I e II
- Mirueira
- Tabajara
O geólogo do SGB, Lauro Pizzatto, participou da pesquisa em campo e explicou que no município de Paulista existem duas áreas principais de risco.
“Existem as partes de deslizamentos de encostas, nos morros, e de planície marinha, com riscos de inundação e alagamento, que têm a influência da maré e do nível da água”, ressaltou.
O plano também orienta políticas habitacionais e de saneamento, contribui para a elaboração de planos de contingência, apoia a implantação de sistemas de monitoramento e alerta, direciona as ações da Defesa Civil e fortalece a fiscalização para evitar o avanço da ocupação em áreas de risco.
Entre as estratégias de mitigação, estão desde obras de contenção de encostas a intervenções não estruturais, como a implementação de alertas, a limpeza sistemática de canais e sistemas de drenagem pluvial e realização de programas contínuos de educação ambiental nas comunidades.
Segundo Luana Alves, coordenadora geral na Secretaria Nacional de Periferias, o objetivo do plano não é remover as famílias das moradias, mas orientar o gestor público a tomar decisões e estimular a participação social.
“É importante que os moradores conheçam esses resultados e saibam o grau de risco do seu território para poder acompanhar, fiscalizar e contribuir com o trabalho da Prefeitura. A gente acredita que a política de prevenção de risco de desastre necessita de soluções de engenharia, mas precisa também de envolvimento comunitário”, pontuou.
Plano Municipal de Redução de Riscos
Os trabalhos para a elaboração do Plano Municipal de Redução de Riscos em Paulista tiveram início em outubro de 2024 e foram realizados em quatro etapas, envolvendo levantamento de campo e proposição de intervenções estruturais.
Os pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil percorreram bairros junto a líderes comunitários para identificar setores com risco a inundações e processos erosivos, classificando-os conforme critérios técnicos estabelecidos em metodologias nacionais.
A equipe utilizou drones para mapear residências e avaliar barreiras próximas às habitações para identificar as áreas de risco nos níveis 3 e 4.
O documento está em fase de finalização técnica e, posteriormente, será entregue ao município do Paulista.
“Esse projeto é de muita importância para a nossa comunidade, que é muito afetada pelas chuvas. Quando chove, alaga, e as pessoas se mudam para a casa de parentes”, contou Hélio Galdino, morador do Loteamento Nossa Senhora de Fátima, em Maranguape I.
Juliana Lima, líder comunitária da comunidade do Jacaré, Maranguape I, também tem a perspectiva de que o projeto saia do papel. “A comunidade fica no aguardo das melhorias porque quando chove, entra água nas casas”.
Fatores de risco
O Serviço Geológico do Brasil identificou como fatores de risco para o município de Paulista o crescimento urbano acelerado, a ocupação de áreas ambientalmente sensíveis e as intervenções inadequadas em rios e canais, como os rios Timbó e Paratibe e de seus afluentes.
O relatório também destacou a implementação de intervenções inadequadas que potencializam os processos, como supressão de vegetação das encostas e margens de rios, retificação de canais e aterramento de áreas suscetíveis à inundação.
“Com o estudo elaborado pelo SGB, o município passa a contar com uma base técnica e científica sólida para orientar a tomada de decisão dos gestores públicos e fortalecer ações que salvam vidas. Nosso trabalho tem exatamente esse propósito: ser um instrumento estratégico de prevenção e mitigação de riscos, contribuindo para o desenvolvimento seguro e sustentável das cidades ”, destacou Débora Lamberty, pesquisadora do SGB.