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Arquidiocese de Olinda e Recife lança Campanha da Fraternidade com foco na luta por moradia

Programação tem início nesta quarta-feira (18) e segue até 29 de março. Os recursos arrecadados neste período serão destinados a projetos sociais

Por Laís Nascimento Publicado em 18/02/2026 às 14:19 | Atualizado em 18/02/2026 às 15:34

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A luta por moradia será o tema central da Campanha da Fraternidade 2026 da Arquidiocese de Olinda e Recife. Com o tema “Fraternidade e Moradia”, a programação tem início nesta quarta-feira (18) e segue até 29 de março.

Os recursos arrecadados ao longo do período de Quaresma serão destinados a projetos sociais. O tema escolhido vem do versículo “Ele veio morar entre nós” e vai conduzir as atividades religiosas.

À Rádio Jornal, o Padre Pedro Igor Leite, integrante da equipe regional da Campanha da Fraternidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil Nordeste 2, explicou que os fundamentos bíblicos inspiram a iniciativa.

“Quando a mãe de Jesus estava grávida, eles não encontraram lugar para se hospedar. E eles, como migrantes, pobres e retirantes, se hospedaram em um lugar onde os animais estavam ali para comer e descansar. Ali nós já temos um primeiro sinal de identificação de Deus com estas situações de vulnerabilidade”, pontuou.

O sacerdote acrescentou que é dever da Igreja denunciar injustiças que alimentam a desigualdade social.

Déficit habitacional

Um dos objetivos da campanha é ampliar o debate sobre a realidade da falta de moradia no país junto aos fiéis. Só no Recife, o déficit habitacional é de 54 mil domicílios, de acordo com a Fundação João Pinheiro (FJP), que utiliza dados da Pnad Contínua de 2022.

O município apresenta um total de 1.586 habitações precárias, 6.231 coabitações e 46.150 habitações em ônus excessivo do aluguel, levando-se em conta o total de 599.5 domicílios ocupados. O levantamento não mensura o total de pessoas sem moradia na cidade.

A gerente de incidência em políticas públicas da Habitat para a Humanidade Brasil, Raquel Ludermir, afirmou que é importante observar as desigualdades urbanas a partir da inadequação e do déficit habitacional.

O déficit habitacional leva em conta o ônus excessivo com o aluguel, a coabitação e as moradias precárias. Já a inadequação diz respeito, dentre outros fatores, à carência na infraestrutura urbana, como distribuição de água e energia e tratamento de esgoto e lixo.

Direito básico

A mobilização da Igreja se soma a outros movimentos sociais que atuam na defesa do direito à moradia. Robson Pessoa, do Movimento das Pessoas em Situação de Rua no Recife, destaca que o posicionamento da Arquidiocese fortalece a luta das populações vulneráveis.

“Isso potencializa mais ainda o mesmo olhar que nós temos enquanto movimento social que luta para que esse público também seja olhado como sujeito de direito à ter uma moradia digna”, afirmou. Para ele, a moradia representa um ponto de partida para a reinserção social de quem vive nas ruas.

O padre Edson André, presidente da Comissão Arquidiocesana de Pastoral para a Ação Sociotransformadora da Arquidiocese de Olinda e Recife, ressaltou que a campanha convida à reflexão sobre o que chama de “pecado estrutural e social”.

“Cada vez mais empurramos pobres e pretos para as periferias urbanas. O direito à moradia está ligado ao direito à cidade e à terra. Quando se quer construir algo ou fazer viadutos e arcos metropolitanos, as comunidades pobres podem ser despejadas e descaracteriza-se toda aquela existência”, pontuou.

Padre Pedro Igor reforçou que o debate vai além da construção de habitação. “É preciso, além da casa, que essas pessoas tenham acesso aos aparelhos da cidade, tenham direito à cultura, ao lazer, a saneamento, a uma praça, uma escola e um posto de saúde, para que tenham uma situação minimamente digna para enfrentar a sua vida com qualidade”

Para o professor de História Vicente Ferreira Santos, a responsabilidade também é da sociedade. “O Brasil hoje tem 12 milhões de imóveis desocupados, então, onde está a fraternidade? Nós temos um dever como cidadão de cobrar a quem compete fazer com que esse país se torne melhor e a moradia é uma dignidade que a gente não pode tirar das pessoas”, concluiu.

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