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Pernambuco recebe projeto do BNDES para monitoramento e restauração de corais

O projeto terá duração de 36 meses e prevê mergulhos científicos e análises ambientais para subsidiar políticas públicas de conservação marinha

Por Aisha Vitória Publicado em 13/02/2026 às 16:45 | Atualizado em 13/02/2026 às 16:51

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinou nesta sexta-feira (13) o contrato do primeiro projeto da iniciativa BNDES Corais, que inclui Pernambuco no mapeamento e monitoramento de recifes rasos ao longo do litoral brasileiro.

Executado pelo Instituto Nautilus de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade, o projeto SER Corais terá duração de 36 meses e prevê mergulhos científicos, análises ambientais e produção de mapas técnicos para subsidiar políticas públicas de conservação marinha. A ação integra o BNDES Azul e conta com R$ 5,5 milhões do Fundo Socioambiental.

Em Pernambuco, a área contemplada está localizada em São José da Coroa Grande, dentro da Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais, considerada o maior complexo recifal contínuo do Atlântico Sul.

Outras ações

Além do monitoramento, o projeto prevê oficinas técnicas, capacitação e incentivo a atividades econômicas sustentáveis ligadas aos recifes, com impactos na proteção costeira, no turismo e na pesca.

A iniciativa realizará expedições de campo e coleta de dados ambientais para acompanhar a saúde dos recifes distribuídos ao longo de cerca de 2,8 mil quilômetros do litoral brasileiro.

Entre as ações previstas estão o monitoramento da cobertura coralínea, de espécies associadas e de espécies exóticas invasoras, além da elaboração de mapas técnicos, relatórios científicos e protocolos de restauração recifal.

O projeto será executado também em áreas de Alagoas (Japaratinga e Maragogi), Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Ao todo, pelo menos dez unidades de conservação serão apoiadas. A proposta inclui ainda a avaliação de duas espécies invasoras prioritárias, o monitoramento de 28 espécies e a realização de 43 eventos técnicos e oficinas.

A assinatura do contrato marca o início de uma das operações aprovadas no âmbito do BNDES Corais, apontada como a maior chamada pública já realizada no país voltada exclusivamente à conservação e regeneração de recifes de coral.

Importância dos recifes

Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, os recifes são estratégicos para a biodiversidade marinha, a proteção da costa e a atividade pesqueira e turística.

“Com o projeto SER Corais, estamos fortalecendo a ciência brasileira e apoiando soluções baseadas na natureza, em sintonia com as prioridades do governo”, afirmou.

Além do monitoramento em larga escala, o projeto prevê ações de restauração ecológica, como cultivo de corais in situ (viveiros no mar) e ex situ (em laboratório), testes de diversidade genética e recomposição de áreas degradadas.

Também será desenvolvido um aplicativo para acionar o Protocolo Geral de Alerta, Detecção Precoce e Resposta Rápida para espécies invasoras no ambiente marinho.

Para a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, a iniciativa combina conservação ambiental, produção de conhecimento e inclusão social. Ela destacou que o projeto contribui para proteger os recifes e fortalecer comunidades costeiras com foco no desenvolvimento sustentável.

Geração de empregos

A execução também deve gerar empregos diretos e indiretos, ampliar a capacidade técnica de pesquisadores e fortalecer a produção de conhecimento aplicado à gestão costeira.

O monitoramento contínuo permitirá identificar fatores de estresse local, como pesca predatória, poluição e urbanização desordenada, orientando medidas de mitigação e estratégias de adaptação às mudanças climáticas.

De acordo com a fundadora do Instituto Nautilus, Fabiana Felix, o SER Corais amplia uma estratégia já consolidada de monitoramento recifal.

“O projeto permitirá expandir o acompanhamento realizado com o Budiões, focado nos peixes, para os próprios corais e organismos bentônicos, gerando dados estratégicos para políticas públicas e ações de restauração”, afirmou.

A operação está alinhada à Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, à Década da Restauração de Ecossistemas e ao Plano de Ação Nacional para Conservação de Ambientes Coralíneos (PAN Corais).

Ao integrar ciência, restauração ambiental e desenvolvimento local, o projeto reforça o papel do BNDES Azul na proteção dos oceanos e na promoção da economia sustentável no litoral brasileiro.

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