União consensual lidera e casados e solteiros se equiparam em Pernambuco
A pesquisa detalhou a natureza da união conjugal, constatando que a união consensual predomina no Estado, sendo o caso de 42,76% das pessoas
Clique aqui e escute a matéria
*Com agências
Os resultados preliminares da amostra do Censo Demográfico 2022 sobre Nupcialidade e Família em Pernambuco, divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (5), revelaram uma divisão bastante equilibrada no estado entre as pessoas que viviam em união e as que não viviam. Das 7.774.606 pessoas com mais de 10 anos de idade, 49,27% residiam em união e os 50,73% restantes não estavam vivendo uma união na data de referência da pesquisa.
Na comparação com o Censo de 2010, os dados mostram um discreto aumento da nupcialidade no Estado. Em 2010, 48,2% da população com mais de 10 anos vivia em união, e 51,8% não vivia.
As localidades com maiores percentuais de pessoas que não viviam em união eram o distrito de Fernando de Noronha (59,16%), a cidade de Itapissuma (58,56%) e a Ilha de Itamaracá (58,35%). Já os municípios com maior proporção de pessoas casadas eram Dormentes (57,14%), Camutanga (56,21%) e Riacho das Almas (55,59%).
União Consensual e sem religião
A pesquisa detalhou a natureza da união conjugal, constatando que a união consensual predomina no Estado, sendo o caso de 42,76% das pessoas que viviam em união. Esse tipo de união ultrapassa o casamento civil e religioso, que veio logo em seguida, com 30,38% dos casos. O casamento somente civil somou 25,02%, e o casamento somente religioso foi o menos frequente, com 1,85%.
Chama a atenção o fato de que as pessoas sem religião foram uma das mais observadas entre os que estavam numa união, ficando atrás apenas de católicos (58,66%) e evangélicos (26,92%), que predominam na população em geral. Pessoas sem religião representavam 9,16% das pessoas de 10 anos ou mais de idade que viviam em união conjugal.
Famílias e fecundidade
Em Pernambuco, o arranjo tradicional de família única prevalece, sendo observado em 89,47% dos casos. No entanto, 10,53% das famílias residentes em domicílios particulares dividiam a moradia com outra família convivente.
Ao observar as famílias, registrou-se que 67,14% não conviviam com nenhum filho menor de 10 anos de idade, o que reforça indiretamente a tendência geral de baixa fecundidade. Os municípios com maior proporção de famílias com 3 ou mais filhos na infância foram Inajá (5,03%), Carnaubeira da Penha (4,89%) e Xexéu (3,82%). O estudo ainda notou uma alta correlação inversa entre o nível de instrução da pessoa responsável pela família e o número de filhos de até 10 anos na unidade doméstica. Por exemplo, foram registradas 13.125 unidades domésticas com 3 ou mais filhos menores de 10 anos onde o responsável tinha Sem instrução e fundamental incompleto, contra apenas 1.552 onde o responsável possuía Superior completo.
Resultado nacional
No País, pela primeira vez, a parcela de brasileiros que vivem em união conjugal consensual superou a proporção de matrimônios religiosos e civis. Em 2022, 38,9% das uniões conjugais eram consensuais, ou seja, os cônjuges não contraíram o casamento. São 35,1 milhões de pessoas em situações como a de união estável, por exemplo. Essa proporção era de 28,6% no ano 2000 e de 36,4% em 2010.
Os dados comparativos são de anos em que houve recenseamento demográfico. No sentindo oposto ao das uniões consensuais, os casamentos civil e religioso passaram de 49,4% do total de uniões em 2000 para 37,9% em 2022. No Censo de 1970, eram 64,5%.
Os matrimônios apenas religiosos recuaram de 4,4% para 2,6% no mesmo período. Já o casamento apenas civil subiu de 17,5% para 20,5%. Voltando mais no tempo, o Censo 1960 retratou que 60,5% das relações eram formalizadas com casamento civil e religioso, enquanto as consensuais eram apenas 6,4%.