Do Nordeste para o Brasil
Em entrevista à Rádio Jornal, a presidente do Todos Pela Educação afirmou que escolas públicas de estados nordestinos são exemplos para o país
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O território de enormes proporções que é a morada de mais de 214 milhões de brasileiros, traz na história de cinco séculos desde a colonização portuguesa diversos desafios. Entre os quais, reduzir e superar a brutal desigualdade social e econômica. E um dos caminhos já trilhados por outros países, com foco na qualidade e na formação de cidadãos aptos ao mercado de trabalho, vem a ser a educação. Apesar dos avanços nas últimas décadas, como no acesso ao ensino superior, o Brasil continua devendo muito na educação básica, com notas de baixo desempenho em matemática e interpretação de textos na principal avaliação internacional da aprendizagem com adolescentes, o Pisa.
Num contexto nacional de disparidades, podem sair de uma região menos desenvolvida bons exemplos para o país inteiro. O que não é novidade, diante dos destaques alcançados por unidades escolares e políticas públicas em várias cidades e estados do Nordeste. Em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, a presidente do Todos Pela Educação, Priscila Cruz, fez questão de ressaltar esses exemplos, mencionando a importância deles para a educação brasileira. Para ela, “o Nordeste tem muito a ensinar para o Brasil, para São Paulo, para os fluminenses, para quem mora no Distrito Federal, para quem está em estados que são mais ricos e que não têm o mesmo resultado”.
Ao lidar com realidades adversas no cotidiano, as soluções encontradas na região têm tudo para se disseminar, elevar a qualidade da oferta de conhecimento e da aprendizagem em todo o país. A alfabetização no Ceará, o ensino de matemática no Piauí, a evolução de Alagoas no ensino fundamental, segundo o mais recente Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), e a expansão do horário integral em Pernambuco, são casos que ilustram a experiência nordestina, de acordo com Priscila Cruz. “Pernambuco é o grande case nacional de educação integral, é um estado que, historicamente, é um dos que mais cresceu em todo o Brasil”, reconhece.
A valorização da educação e modo ampliado, como direito da cidadania, está crescendo entre os jovens, segundo a gestora da organização. “A demanda educacional está mudando. Isso é bom, porque mostra uma conscientização mais forte por parte dos estudantes”, disse ela. O que significa que as demandas se tornam mais exigentes, deixando de se referirem apenas à abertura de vagas, mas esperando estruturas adequadas, professores qualificados e garantia de aprendizagem, entre outras coisas. Numa época em que a juventude se depara com mudanças tecnológicas que afetam a assimilação de informações, e mudanças climáticas pressionando a vida fora da escola, as políticas públicas para educação precisam estar envoltas pelas melhores referências.
Os estados mencionados pela entrevistada na Rádio Jornal têm muito a oferecer ao país, não somente na formação, mas também em outras áreas, como ilustram as dinâmicas da economia em polos regionais de alcance global. Mas o Nordeste continua necessitando de apoio, financiamento e fortalecimento de políticas públicas baseadas na continuidade e ampliação do que pode seguir dando certo, na direção do destino coletivo mais justo entre as regiões brasileiras.