Jornalismo é democracia
Dia Mundial do Jornalismo abriu semana decisiva para as eleições brasileiras, reforçando a necessidade da liberdade para a vida democrática
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Em tempos de insidiosa desinformação que pode distorcer fatos, ampliar a incompreensão e influenciar pessoas em desastroso comportamento de manada, a exemplo do negacionismo durante a pandemia de Covid, o Dia Mundial do Jornalismo aponta o valor de âncoras de confiança e credibilidade para que a informação disseminada não se confunda com a mentira normalizada. E a verdade relativizada não se transforme em alimento para o ódio coletivo e o consumo massivo de ressentimento que estimula a exclusão e a intolerância.
Desde o último dia 25 até 1º de outubro, passando pela data oficial de 28 de setembro, a campanha pela valorização da informação jornalística reforça sua indissociável ligação com o ambiente democrático. Se a liberdade – religiosa, artística, política – se manifesta na expressão livre de cada um, sem passar por cima dos direitos dos outros e da própria democracia que permite a vigência da liberdade, o trabalho da imprensa atualiza, minuto a minuto, de domingo a domingo, o ano inteiro, a faculdade coletiva de um indivíduo pensar e agir em reflexo às próprias convicções, com a responsabilidade de quem não se furta ao que se implica em cada escolha. Por isso, o jornalismo é espelho democrático da pluralidade e da diversidade, anteparo aos pensamentos únicos e às vontades totalitárias que se nutrem da apatia e da desinformação.
Conteúdos específicos sobre o assunto estão sendo veiculados em diversas plataformas, em campanha voltada para o cidadão "conhecer os fatos, entender o que importa e escolher o jornalismo de confiança, porque é o seu direito saber". A informação como direito não deve ser confundida com direito de ocultação da verdade, ou mesmo de mentir e compartilhar mentiras com o objetivo de reabastecer os mananciais de fake news. Por isso é crucial a existência de fontes confiáveis de acesso e interpretação dos fatos. Aliás, esse deveria ser um dos critérios lógicos imediatos para diferenciar o que é fato e o que é fake: o relato jornalístico permite interpretações, enquanto a sedução da mentira impõe a forçosa opinião que induz a linchamentos, não a reflexões.
A insidiosa desinformação pode ser turbinada pela inteligência artificial, e se torna ainda mais perniciosa durante campanhas eleitorais. O nível de ferocidade contido em ataques virtuais contamina a realidade, afasta o interesse pelo verdadeiro debates acerca dos problemas enfrentados cotidianamente pela população – e cujo peso, drama e dor voltam imediatamente após o veredito das urnas vir a ser conhecido. Por coincidência, O Dia Mundial do Jornalismo e a campanha de valorização da atividade jornalística, em 2026, ocorrem na semana que antecede o primeiro turno de eleições, mais uma vez, polarizadas pelo não-voto, ou seja, menos pelo desejo de escolher um representante para exercer o poder, e mais pela antipatia a um candidato oponente.
Trata-se de oportunidade para reafirmar a decisiva importância da democracia para o jornalismo, assim como do jornalismo para a democracia: a narração dos fatos pode suscitar pontos de vista, sem precisar produzir inimigos ou ídolos acima de qualquer crítica. E o papel da imprensa é defender os direitos estabelecidos como conquistas pelo processo democrático.