Editorial | Notícia

Quem decide a eleição

A uma semana da decisão, cabe ao eleitorado a responsabilidade da cidadania, no ato mais importante do processo democrático, diante das urnas

Por JC Publicado em 27/09/2026 às 0:00

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No próximo domingo, 4 de outubro, acontecerá o primeiro turno das eleições brasileiras. A população registrada para exercer o voto irá escolher nomes e digitar os números correspondentes para assentos na Câmara Federal, no Senado, na Assembleia Legislativa, e para governar cada estado e o país. Este ano, a renovação no Congresso terá dois terços de senadores em disputa, ou seja, cada eleitora ou eleitor poderá selecionar dois nomes para o cargo. Ao todo, serão seis preenchimentos de números, o que pode fazer com que a fila de votação tenha um pouco mais de lentidão, apesar da urna eletrônica.
O volume de indecisos costuma atravessar a última semana de campanha, chegando ao dia da decisão em quantidade acima da ideal. O distanciamento entre a cidadania e os parlamentares, percebido nas últimas décadas, explica, em parte, o desinteresse pela ocupação dos parlamentos. Mas a relevância dos escolhidos para compor as casas legislativas, em qualquer instância, tem aumentado, mesmo que a reboque da questionável influência de deputados e senadores sobre o orçamento público. Com a crise institucional envolvendo a cúpula do Judiciário, no Supremo Tribunal Federal (STF), o peso do voto para o Senado é ainda maior, já que poderá sair de lá a aprovação de pedidos de impeachment para ministros do STF.
Nas disputas para o governo dos estados e a presidência da República, especialmente em edições de diferenças estreitas nas intenções de voto, cresce a expectativa para as últimas rodadas de pesquisas eleitorais. Com recortes cada vez mais elaborados do eleitorado, buscando detalhes que indiquem tendências consolidadas em determinados grupos de eleitores, as principais pesquisas chamam a atenção da imprensa – que espalha a notícia de interesse amplo – e das equipes de campanha, incluindo candidatas e candidatos. No entanto, como demonstram eleições anteriores, as fotografias momentâneas, como se diz, podem não projetar com exatidão o que será realidade quando a apuração terminar. Por isso, as pesquisas de boca de urna, feitas no próprio dia da votação, são sempre mais aproximadas da votação consumada.
As pesquisas indicam forças e limites, só que não decidem nada. A decisão cabe a cada eleitora e eleitor, que respondem à intuição e ao desejo individuais para expressar a vontade coletiva. É um direito da cidadania cujo exercício indelegável seduz até quem não precisa votar, como jovens de 16 a 18 anos de idade e idosos acima dos 70. Nem os representantes do povo, no Executivo e no Legislativo, desempenham função tão nobre e indispensável quanto a do eleitorado. Não é á toa que se repete a obviedade de que cada voto conta: o óbvio que é para ser repetido restaura e renova o processo democrático. No dia 4 de outubro, mais uma vez, a ideologia que regerá as escolhas a serem tomadas por cada brasileira e brasileiro, e por aqui, por pernambucanas e pernambucanos, é a ideologia da liberdade. O voto é uma conquista do direito de ser livre para votar como quiser, até não votar – em ato consciente, e não, proibição ou exclusão.
E como em todo ato de liberdade, o voto implica em responsabilidade: quem decide o futuro é responsável pelo que faz.

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