Editorial | Notícia

Crise climática na eleição

Segundo pesquisa, maioria dos brasileiros espera propostas para o enfrentamento das mudanças no clima, que causam preocupações no mundo inteiro

Por JC Publicado em 18/09/2026 às 0:00

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Entre tanto a lamentar na atual campanha eleitoral para a presidência da República, cumpre notar o esvaziamento do debate acerca de problemas reais, encontrados no dia a dia da população. A crise institucional toma a primazia do interesse coletivo, pela gravidade com que os fatos se apresentam às vésperas das escolhas que devem ser feitas pelo eleitorado. Mas não é que não existam – muitos – problemas, que se atrelam a preocupações, ansiedades e expectativas da população brasileira.
No topo da angústia nacional está a violência que gera insegurança, sobretudo nos locais dominados pelo tráfico e pelo crime organizado. A corrupção volta a figurar em destaque, retornando ao foco da atenção em decorrência das investigações e disputas em torno do caso do banco Master e seu banqueiro, Daniel Vorcaro, cujas relações parecem onipresentes em Brasília, juntando suspeitos ligados ao governo e à oposição que polarizam a corrida eleitoral ao Planalto. Embora não seja sempre lembrado, o desequilíbrio das contas públicas é outro tema que mereceria franco debate, a fim de se deixar claro o que se pode ou não prometer, contando com o cheque especial do erário, que não é infinito e cobra o preço da dívida pública, ameaçando pra valer a viabilidade do próximo governo federal, assim como os repasses aos demais níveis de governo, a partir do ano que vem.
Exemplo de agenda temática que também deveria ser conduzida pelos candidatos, com abordagens sobre o que vem sendo feito, o que pode ser feito e o que se comprometem a fazer, é a crescente crise climática em curso. Em pesquisa do Observatório do Clima, realizada pelo Ipsos, 91% dos entrevistados aguardam propostas contra os efeitos das mudanças climáticas, como parâmetros da decisão nas urnas em outubro. E quase dois terços consideram a questão muito importante, revelando o grau de preocupação com o tema. Já há um consenso na população brasileira, a respeito da influência das mudanças climáticas na ocorrência de tempestades, estiagens, ondas de calor e vendavais. O que não é para menos: assim como no resto do planeta, a notícia de fenômenos climáticos anormais ou intensos vem assustando muita gente.
Como 76% acham haver tempo para se evitar consequências piores, expectativas são criadas para os próximos gestores eleitos, a partir da implementação de medidas capazes de combater os impactos do clima severo com eficiência. Para Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, “a pesquisa mostra que os brasileiros querem compromissos dos candidatos na agenda climática, mas infelizmente não é o que está acontecendo. A maioria dos presidenciáveis tem planos fracos ou inexistentes para o tema”, lamenta.
Os dados apontam para a necessidade da ampliação e diversificação das pautas de campanha, especialmente para a presidência da República. O encolhimento do debate é um estreitamento da visão para o eleitorado que irá escolher o rumo do país nos próximos quatro anos. Nesse horizonte, a crise climática tende a continuar sendo assunto incontornável da gestão pública.

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