Estagnação na educação
Avaliação internacional de estudantes de 15 anos de idade, o Pisa mostra mais uma vez o baixo nível dos brasileiros em leitura, matemática e ciências
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Após avaliação de mais de 30 mil estudantes de 15 anos de idade, em mais de 1 mil escolas, os resultados do Pisa relativos ao ano passado, divulgados esta semana, não diferem muito dos resultados de 2022: a aprendizagem brasileira em leitura, matemática e ciência continua abaixo do nível básico esperado. O percentual de praticamente 44% dos estudantes avaliados não obteve proficiência básica simultânea nas três áreas, mais que o dobro do encontrado na média dos países que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que não chega a 20%. E apenas um número equivalente a menos de 2% dos estudantes do Brasil avaliados chegou a níveis elevados de demonstração de conhecimento em uma das áreas.
A posição em matemática foi pior que em 2022, e a mesma de 2015. Ou seja, em uma década, o aprendizado não avançou, deixando o déficit educacional no mesmo lugar. Enquanto o patamar básico é obtido por 65% dos estudantes nos países da OCDE, no Brasil, somente 28% apresentam esse aprendizado, sendo capazes de realizar contas simples, como comparar distâncias, preços e unidades de medida. Trata-se, portanto, de conhecimento que se aplica no cotidiano, de conteúdo útil para a vida prática, e não, abstrações envolvendo conceitos e fórmulas complexas de pouco impacto para quem não é especialista.
Menos da metade dos avaliados brasileiros, 48%, conseguiram atingir o básico em ciências, e ainda assim, melhorando um pouco os resultados de 2022 e 2015. A deficiência nesse tipo de conhecimento significa incompreensão de fenômenos científicos elementares, além, claro, de incapacidade para entender e raciocinar sobre a base desse conhecimento. A leitura, por sua vez, variou pouca coisa, piorando em comparação com 2022, e melhorando em relação a 2015, resultado considerado estável e que denota, como nas demais áreas, evidência de estagnação, com menos da metade dos estudantes exibindo proficiência suficiente para compreender e interpretar o que leem. Sem a habilidade da leitura elementar, fica comprometido o potencial crítico dos indivíduos.
Com as ferramentas da inteligência artificial cada vez mais à disposição dos mais jovens para dúvidas imediatas, os números do Pisa que indicam a estagnação pintam um quadro preocupante para a educação no país, nos próximos anos. No momento em que a economia se defronta com anos difíceis, a começar de 2027, com dívida pública estratosférica, juros altos e margem estreita de investimento pelos governos, as gerações que chegam ao mercado de trabalho revelam despreparo do conhecimento necessário para exercer as profissões que a nação demanda para um salto de desenvolvimento. A educação, que em outros países do mundo se apresentou como caminho de virada, no Brasil continua sendo um gargalo – talvez o pior, por impedir o crescimento das pessoas e da coletividade.
Sem discernirem o que é fato ou mentira nas redes sociais, por exemplo, por não saber direito o que leem, nem solucionar problemas simples que exigem raciocínio lógico básico, os jovens brasileiros não estarão prontos para se tornarem qualificados, seja na direção do que sonham para suas vidas, seja na colaboração de um país menos desigual e mais justo.