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Editorial JC: Organizadas de volta

Torcedores pacíficos temem que a violência praticada pelas organizadas dentro e fora dos estádios de futebol possa ressurgir em Pernambuco

Por JC Publicado em 11/08/2026 às 0:00 | Atualizado em 11/08/2026 às 7:34

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Com os mesmos nomes, faixas e gritos de guerra, as torcidas organizadas estão de novo nos estádios pernambucanos. O vai e vem de proibições e retornos é costumeiro no Brasil, e se repete também por aqui.

Após episódios graves de violência, as autoridades afastam dos jogos as uniformizadas associadas aos crimes cometidos sob a desculpa do futebol. Meses depois, como se nada acontecido, sob a promessa de cadastramento e rigorosa vigilância, o acesso é permitido – até que novos episódios ocorram, para o desespero e a impaciência da imensa maioria de verdadeiros torcedores, e da população em geral, já que na maioria dos casos a irrupção de violência se dá do lado de fora também, nos arredores dos estádios.

O cadastramento digital de torcedores das organizadas pode representar um importante avanço na prevenção à baderna, às ameaças, e aos danos físicos, emocionais e materiais causados por vândalos nas torcidas organizadas. A esperança da população é que a tecnologia seja um diferencial de proteção, para que todos possam vibrar e torcer em paz, antes, durante e depois das partidas, especialmente na capital pernambucana. Infelizmente, a prática abominável de escolta à violência uniformizada, pelos policiais, vai continuar, em clássicos cuja realização mete medo nos cidadãos, desde horas antes de a bola rolar no gramado. Ao agrupar centenas de raivosos um desfile de ódio, a segurança pública, nas últimas décadas, estimulou a violência, ao invés de impedi-la.

Como a plataforma apresentada em julho pelo governo do Estado não é obrigatória para o acesso aos estádios, integrantes das torcidas organizadas não têm mais impedimento. Mas não faz tanto tempo assim, a restrição foi inevitável, quando gangues do Sport e do santa Cruz se enfrentaram nas ruas, em fevereiro do ano passado, gerando imagens de selvageria e covardia muito longe do espírito esportivo.

Em entrevista à Rádio Jornal dias depois do terrorismo das organizadas, o juiz aposentado fundador do Juizado do Torcedor, Ailton Alfredo de Souza, lembrou que “todos os países que conseguiram controlar isso o fizeram por meio de uma política permanente de segurança. O que defendemos há anos é que haja uma política de Estado voltada para o futebol”. O vai e vem de proibição e liberação das organizadas aos estádios mostra, pelo contrário, o improviso predominante no país a esse respeito.

Nos lugares em que funcionou, e continua funcionando, o afastamento dos bandidos dos estádios é um caminho sem volta, tendo a informação dos torcedores como base e a punição como exemplo. Se a torcidas organizadas de sempre continuarem a frequentar os estádios no Brasil, apesar dos crimes que cometem vários de seus integrantes, alguns reincidentes impunes, a violência vai continuar a afastar os torcedores verdadeiros, e a assustar a população do entorno dos campos de futebol.

A arte da bola nos pés perde fãs, os campeonatos perdem a graça quando se tornam motivo para brigas agendadas, e as autoridades, do poder Judiciário aos policiais, nos lugares em que a violência nos estádios permanece, veem a credibilidade e a confiança coletiva nas instituições de segurança tomarem uma goleada dos meliantes organizados.

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