Indústria em bom momento
Alta acumulada no ano consolida tendência positiva para o setor no estado, apesar de crescimento menor do que no mesmo período no ano passado
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A economia pernambucana segue em ritmo de recuperação, com necessidade de crescimento maior que a média regional para restaurar melhores níveis de competitividade em relação a outros estados nordestinos, e retomar protagonismo no cenário nacional. Dados do IBGE divulgados na última sexta ratificam a trajetória na produção industrial, com aumento de 2,4% em maio. Embora o resultado signifique um recuo de 0,9% em relação a maio do ano passado, o acumulado nos cinco primeiros meses de 2026 chega perto de 15% de variação positiva, em demonstração de fortalecimento econômico acima do Nordeste.
Em 12 meses, o crescimento pernambucano acumula uma alta de 7,6%, número expressivo em período mais longo. A fabricação de produtos químicos e de metal vem se destacando no setor, garantindo o bom desempenho em maio. E de janeiro a maio, a produção de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis quase dobrou, mostrando a importância do segmento para a indústria de Pernambuco. Equipamentos de transporte, metalurgia e produtos químicos também aparecem com destaque. Ao longo de 12 meses, a maior alta é do coque, derivados do petróleo e biocombustíveis.
Vale reparar o que não foi tão bom assim. A retração na observação de 12 meses se abateu sobre produtos alimentícios (-0,2%), bebidas (-0,9%), minerais não metálicos (-2,8%), outros equipamentos de transporte (-15,8%) e produtos de metal, que amargou a maior queda no período (-16,2%). É importante buscar as causas dessas freadas, de modo a reverter o movimento negativo e incorporar esses segmentos ao bom momento da economia como um todo. Quanto mais for possível reunir todos num ambiente favorável ao desenvolvimento, mais consolidada será a tendência de crescimento, e mais uniformes os efeitos na qualidade de vida da população.
O primeiro trimestre do ano já havia trazido notícias interessantes para os pernambucanos, com a expansão de 35% na indústria entre fevereiro e março, muito acima da média nacional, de apenas 4,3%. Além disso, a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) estadual no trimestre foi de 8,1%, a maior do país. A realidade nacional, todavia, impõe cautela, como se vê no documento "Construindo o Brasil 2050" que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) preparou para os candidatos a presidente da República na eleição deste ano. Segundo o documento, a participação da indústria de transformação no PIB do Brasil despencou, em 2025, para quase um terço do que era em 1985, de 35,9% para 13,7%. Essa queda acentuada projeta dificuldades para o país inteiro, inclusive Pernambuco, nas próximas décadas.
O percentual da indústria na economia estadual subiu de 20% em 2019 para 23% em 2023, de acordo com fontes oficiais. E a tendência para cima se mantém nos últimos anos, conforme as estatísticas indicam. Mas, como ressaltou Adriana Guarda em reportagem para o JC em junho, “a estrutura produtiva pernambucana carrega as mesmas fragilidades nacionais que o documento da CNI busca endereçar: parque industrial com equipamentos envelhecidos, baixa intensidade tecnológica em setores relevantes e inserção ainda tímida nas cadeias globais de valor”. É nesses pontos que é preciso atenção, a fim de segurar o leme na direção certa.