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Editorial JC: O pior trânsito do país

Mais uma vez, a capital pernambucana se destaca negativamente em mobilidade: temos o tráfego mais complicado e de maior tempo perdido no Brasil

Por JC Publicado em 20/05/2026 às 0:00 | Atualizado em 20/05/2026 às 6:45

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Sair de um lugar para o outro na cidade do Recife é fatigante. Assim como já começa a cansar, saber que o trânsito daqui é o pior do país – sim, pior até do que São Paulo, guardadas as proporções de distâncias. Porque a capital paulista dispõe de estruturas de ligação que são ineficientes para a população recifense, como um metrô decente com várias linhas, sempre em expansão, e faixas exclusivas para ônibus que fazem a diferença nos períodos de intenso movimento. Saber que poderíamos ter o “maior engarrafamento em linha reta do mundo” não é motivo de orgulho, e sim, de permanente angústia para os pernambucanos.

Até 130 horas por ano – ou mais de uma semana útil – são perdidas pelos motoristas e passageiros, no lento fluxo da cidade. No início da manhã ou da noite, um trajeto de apenas 5 quilômetros, por exemplo, da Praça de Casa Forte até o bairro de Santo Amaro, pode durar quase 1 hora e meia, que seria tempo suficiente para viajar até Gravatá, a 80 km da capital. Assim, quando uma nova pesquisa da TomTom Traffic Index posiciona o Recife, pela quarta vez, como o trânsito mais lento do Brasil, infelizmente não recebemos a notícia com surpresa. O nível de congestionamento para os recifenses e visitantes, em 2025, foi superior ao de São Paulo e do Rio de Janeiro, de novo.

O Seminário de Mobilidade Urbana – ZURB – que tem início nesta quarta, 20, no Recife Expo Center, será mais uma oportunidade para se debater os problemas estruturais e as soluções, tão bem conhecidas quanto não implantadas, para melhorar a qualidade de vida da população que se estresse diariamente nas ruas e avenidas da cidade.

A abertura do evento contará com a mediação da colunista de Mobilidade do JC, Roberta Soares. O crescimento urbano, aqui, ao contrário de outras regiões metropolitanas, foi acompanhado pela redução da oferta do serviço metroviário, contradição cujas consequências afetam a todos, mas principalmente os usuários que dependem desse tipo de modal para ir ao trabalho e voltar pra casa. Aliás, o acúmulo desastroso de falta de investimento no transporte coletivo reflete, entre outras causas, a baixa adesão dos governos estaduais e municipais à gestão das demandas metropolitanas. Já batemos nessa tecla: a omissão diante da governança da RMR tem agravado os impactos nos municípios que a compõem, sobretudo o Recife.

A verdadeira integração metropolitana deve ser uma das prioridades conjuntas dos governos municipais e estadual, para que o foco no transporte coletivo saia das promessas e faça algum sentido. A esperada, e atrasada há décadas, concessão do Metrô precisa ser acelerada e acompanhada de perto pelos gestores públicos, a fim de que se garanta a restauração do sistema, sua modernização e expansão, oferecendo à população novos caminhos seguros e rápidos em transporte coletivo. Assim como a malha de faixas exclusivas para os ônibus, permitindo viagens mais confortáveis aos passageiros. Sem que a infraestrutura seja renovada e ampliada, em vias que não cabem mais carros, os recifenses continuarão amargando a impaciência nos intermináveis congestionamentos.

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