Editorial JC: Corrupção não tem ideologia
Com o Caso Master, perplexos, mas infelizmente não surpresos, os cidadãos brasileiros honestos e de bem seguem com gosto amargo na boca.
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No Brasil, a percepção recente de uma sucessão ininterrupta de escândalos de corrupção, desde o Mensalão (2005) e atingindo novos patamares com o recente Caso Banco Master (2025-2026), reflete uma crise estrutural de integridade pública e o envolvimento de múltiplos Poderes, incluindo o Judiciário, Legislativo e Executivo.
E, diga-se, à direta, ao centro ou à esquerda, ninguém saiu imune, apesar de muitos impunes.
O Mensalão (2005), é bom lembrar, foi o conhecido - mas agora quase esquecido - monumental esquema de compra de votos de parlamentares no Congresso Nacional, sob comando e com posterior condenações de altos membros do Partido dos Trabalhadores (PT).
No "Petrolão" (2014) - considerada a maior investigação da história - revelou-se um "shopping de propinas" na Petrobras, atingindo empreiteiras, parlamentares do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido Liberal (PL), Partido Progressista (PP), além de gestores públicos e resultando inclusive na prisão do atual presideente da República.
No caso do "Petrolão", até hoje persistem dúvidas jurídicas sobre como os acusados do mais alto escalão da República acabaram de alguma maneira livres das penas. Mas a dúvida é nenhuma sobre o fato de que os suspeitos do roubo bilionário devolveram pelo menos RS 7 bilhões aos cofres da Petrobras, segundo números oficiais, por meio de acordos de leniência, delações premiadas e repatriações
Nos dias de hoje, para manter o terrível histórico "made in Brasil", o assombroso Caso Master é apontado como um escândalo bilionário (rombo estimado em mais de R$ 50 bilhões) envolvendo fraudes financeiras, liquidação extrajudicial pelo Banco Central e suspeitas de influência no Supremo Tribunal Federal (STF). A Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master, revela conexões entre o controlador Daniel Vorcaro e autoridades dos mais diversos níveis.
Com o Master, o Brasil acompanha perplexo - infelizmente, sem surpresa, - mais esse capítulo de uma triste história de desfaçatez que afronta os cidadãos honestos da País em cada recanto da nação.
E como os demais escândalos, esse tende mais uma vez a não ter marca ideológica definida. Como estamos só no início das investigações, é prudente não comemorar os nomes que começam a cair ou os que já caíram nas garras da Polícia Federal.
Pelo que se tem de informação até agora, ao que tudo indica, dada a poderosa ramificação dos tentáculos do esquema de Daniel Vorcaro, não deverá ficar pedra sobre pedra. E em pleno ano eleitoral. Assim sendo, aguardemos os tais "fatos novos" com a quase certeza que este é mais um escândalo sem coloração ideológica clara.
Perplexos, mas infelizmente não surpresos, como já dissemos, os cidadãos de bem seguem com aquele incômodo e desagradável gosto amargo na boca. E na esperança de que a tragédia brasileira da corrupção saia finalmente da nossa agenda. Para que, afinal de contas, possamos tratar de temas como educação, saúde, segurança - só para citar alguns - tão caros à maioria da nossa população.