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Editorial JC: Planeta mais quente

Confirmação de 2025 com um dos anos de temperatura mais alta nos últimos séculos traz de volta o alerta para os efeitos das mudanças climáticas

Por JC Publicado em 15/01/2026 às 0:00 | Atualizado em 19/01/2026 às 7:10

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A medição da temperatura média anual na superfície da Terra, realizada em diversos pontos do planeta, é utilizada como parâmetro para avaliar a sequência da elevação que vem sendo anotada nas últimas décadas, e apontada como um fator decisivo para as mudanças climáticas em curso. A intensificação dos fenômenos – a exemplo de tempestades, estiagens e furacões – é um efeito do clima transformado pelo calor crescente. O derretimento das geleiras também se deve à temperatura mais quente, com implicações que assustam os cientistas, devido ao papel de equilíbrio do gelo dos polos para os oceanos, e daí para a atmosfera, em um circuito natural vigente há milhares de anos.

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, da Organização das Nações Unidas (ONU), o ano passado foi um dos três mais quentes já registrados. Além disso, os últimos 11 anos foram os 11 mais quentes, e os últimos 3 anos foram os mais quentes em oito conjuntos de dados. Em 176 anos de registros, 2025 aparece como o segundo ou o terceiro mais quente, tendo esses dados como base. A média entre 2023 e 2025 é quase 1,5 grau acima da média do período pré-industrial. Para a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, “as altas temperaturas em terra e no oceano ajudaram a alimentar eventos extremos - ondas de calor, chuvas intensas e ciclones tropicais fortes - ressaltando a necessidade vital de sistemas de alerta precoce”.

A maior parte do calor planetário é armazenado nos oceanos, por isso o acompanhamento da temperatura oceânica é do interesse – e da preocupação – dos cientistas. Para se ter uma ideia, o aumento do calor nos primeiros dois quilômetros de profundidade nos oceanos entre 2024 e 2025 foi equivalente a 200 vezes a geração de eletricidade mundial em 2024. Portanto, ao se falar em mudanças climáticas, a escala planetária deve ser levada em consideração – e os avisos para os riscos à atual configuração da natureza e da vida na Terra, emitidos há décadas, poderiam ser levados a sério.

Mas é difícil fazer com que os governantes nacionais e a maioria da população mundial, formada por mais de 8 bilhões de pessoas, acreditem que a elevação da temperatura global, que aparenta ser pequena, possa vir a ter consequências duras, e até mesmo devastadoras, nas condições que permitem a permanência das atuais espécies animais e vegetais na superfície terrestre, há tanto tempo. O animal humano, por mais que se ache à parte do mundo natural, depende das mesmas condições de habitabilidade que outro mamífero.

Estamos todos no mesmo aquário, gigantesco para nós, minúsculo para o universo. Com a temperatura mais quente, sobretudo nos oceanos, a ocupação do meio ambiente pode ser outra, em um prazo mais breve do que imaginamos. Se a comunidade humana não atuar junta para reduzir a evolução do calor, a reconfiguração planetária, através das mudanças climáticas, pode afetar toda forma de vida atualmente na Terra – inclusive e principalmente, a nossa.

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