A pátria sem chuteiras
Todos nós, torcedores "de raiz", esperamos que Carlo Ancelotti acabe com essa escassez de vitórias que incomoda o sofrido torcedor
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E lá vamos nós para a América do Norte disputar mais uma Copa do Mundo de Futebol, agora em três países diferentes: Estados Unidos, México e Canadá, nenhum deles integrando a elite do esporte mais popular do Planeta. Mas, não é de estranhar: onde está a Fifa , há sempre suspeitas de interesses
secundários.
Basta lembrar que o presidente da instituição, Gianni Infantino, uma "cruza" de suíço com italiano, criou e contemplou Donald Trump com o "Prêmio Fifa da Paz", pelos "belos serviços" do presidente Norte americano na construção de uma harmonia mundial.
Acredite quem quiser. Mas, azar: vamos até lá, primeiramente alojados nos EUA, para jogar bola, embora nossa Seleção já não esteja colocada entre as favoritas, e mais de metade dos nossos jogadores seja conhecida da torcida brasileira: a grande maioria desses atletas joga fora do País, faz algum tempo.
E poucos jogaram numa mesma equipe, se é que jogaram. Não custa lembrar que há muito tempo a Seleção
Brasileira de Futebol deixou de ser "a Pátria de chuteiras", como quis e
escreveu Nelson Rodrigues.
Faz tempo, também, que a nossa equipe, mesmo carregando cinco estrelas de campeã do mundo na camisa, deixou de ser "favorita" entre os favoritos. Essa "aura" começou a morrer após a vergonhosa derrota por 7 a 2 diante da Seleção da Alemanha, jogando em casa , num estádio lotado, e sob direção de Luis Felipe Scolari, o "Felipão", que quatro anos antes ganhara a Copa, disputada pela primeira vez em dois países: Coreia do Sul e Japão. Uma Copa que consagrou Rivaldo, Ronaldo e Ronaldinho - um trio mágico como nunca mais se viu, por aqui, outro igual.
E isso apenas corrobora um "dito" popular que vem desde os tempos em que uma bola de couro começou a rolar, com um "bando de malucos" correndo atrás dela: "futebol é uma caixinha de surpresas." Para a alegria e para as tristezas.
- O Brasil tem chances de ganhar essa Copa?
- É claro que tem. O que não tem mais é um aglomerado de "gênios da bola", com se viu no passado, incluindo-se aí vários "fora de série", como foram Gerson, Jair, Tostão, Rivelino, Paulo César e Carlos Alberto. Um cidadão chamado Edson Arantes Do Nascimento, também conhecido por Pelé, esse não entra na lista. Ele não era um craque. Era um gênio que vestia a camisa 10 da Seleção.
Mas, para o bem e para o mal, para a vitória ou a derrota, temos aí a Seleção Brasileira de Futebol, treinada pela primeira vez por um técnico estrangeiro, especialista em mascar chicletes e conversar pouco. Vencedor, sim, treinando grandes equipes da Europa.
Embora, ao que consta, nunca tenha comandado a Seleção da Itália, seu país, que este ano ficou fora da Copa: não conseguiu passar pelas eliminatórias. E fica a pergunta: por que os dirigentes do futebol italiano não convidaram, antes, o treinador Carlo Ancelotti para salvar a Seleção do seu país desse triste vexame? Seria porque "santo de casa não faz milagre"? Ou nós compramos o produto pela elegância da embalagem? E compramos caro...
Como o técnico não é brasileiro, todos nós, torcedores "de raiz", esperamos que Carlo Ancelotti acabe com essa escassez de vitórias que incomoda o sofrido torcedor da "seleção canarinha", sonhando com um título que a cada quatro anos se transforma em pesadelo.
Ivanildo Sampaio, jornalista