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João Alberto: A história de uma sorveteria de Olinda

A trajetória da Bacana começou oficialmente em 1972, quando Edivaldo, ao lado da esposa Dilma, alugou um pequeno ponto comercial em uma galeria

Por JOÃO ALBERTO MARTINS SOBRAL Publicado em 20/03/2026 às 5:00

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A Sorveteria Bacana tem sua história profundamente ligada à tradicional “Fri-Sabor”. Foi fundada por Edivaldo Sobral de Góes, que decidiu entrar no ramo incentivado pelo cunhado José de Matos, criador da “Fri-Sabor”. Essa relação era tão próxima que, nos primeiros anos de funcionamento, o estabelecimento trazia junto ao nome principal a expressão “Qualidade “Fri-Sabor”, uma forma de destacar a influência e a referência de qualidade da marca que já era conhecida no Recife.

A trajetória da Bacana começou oficialmente em 1972, quando Edivaldo, ao lado da esposa Dilma, alugou um pequeno ponto comercial em uma galeria localizada na Praça Doze, no bairro de Bairro Novo, em Olinda. Antes dessa iniciativa, havia existido uma outra sorveteria com o mesmo nome, também pertencente à família, situada na Rua Gervásio Pires, no bairro da Boa Vista, no Recife, mas o empreendimento teve vida curta e acabou não prosperando.

Com espírito empreendedor e muito trabalho, apenas um ano depois da inauguração, o casal conseguiu comprar a casa onde morava. A partir daí, decidiu transferir para esse endereço a sorveteria, que permanece até hoje funcionando no mesmo local, transformando-se ao longo das décadas em um verdadeiro ponto de referência na cidade de Olinda.

Naquele período, havia um entendimento informal entre os negócios da família: a Bacana atuaria principalmente na Zona Norte, enquanto a Fri-Sabor concentraria suas atividades na Zona Sul da Região Metropolitana do Recife. Essa divisão ajudou a fortalecer as duas marcas sem que houvesse concorrência direta entre elas.

Entre as muitas histórias curiosas da Bacana, uma das mais conhecidas envolve a criação do sorvete de pitomba. Um jornalista amigo do proprietário costumava brincar sempre que visitava a sorveteria, pedindo sorvete dessa fruta típica nordestina. A ideia parecia impossível, já que a pitomba possui pouca polpa e um caroço grande, o que tornava praticamente inviável sua utilização para a produção de sorvete.

Mas Edivaldo decidiu aceitar o desafio. Em uma ocasião, encontrou na Ceasa várias caixas de pitomba à venda por um preço muito baixo, devido a uma safra abundante. Comprou a fruta e, depois de muito trabalho para separar a pequena quantidade de polpa dos caroços, conseguiu finalmente produzir o sorvete. O resultado surpreendeu: o sorvete de pitomba fez enorme sucesso e acabou se transformando em um dos grandes carros-chefes da casa. Atualmente, para facilitar o processo, a sorveteria utiliza uma máquina especial para retirar os caroços da fruta.

Com o passar dos anos, a Bacana se consolidou como parada obrigatória para quem visita Olinda. O movimento é intenso praticamente todos os dias, e o público é atraído não apenas pela tradição, mas também pela enorme variedade e originalidade dos sabores.

Entre as opções oferecidas ao público estão combinações pouco comuns e bastante criativas, como Azeitona Preta, Amarula, Abacaxi ao Vinho, Chiclete, Rapadura, Erva-Cidreira, Canela, Jaca e até Tomate, entre muitos outros. Essa diversidade se tornou uma das marcas registradas da sorveteria.

Outro aspecto que reforça a reputação do estabelecimento é o cuidado com a produção. Até hoje a Bacana preserva a filosofia original de fabricação, mantendo receitas artesanais e evitando o uso de aditivos químicos, o que garante um sabor mais natural aos produtos.

Em determinado período de sua história, a Bacana também tentou ampliar o negócio seguindo o exemplo da Fri-Sabor e chegou a colocar 30 carrinhos de sorvete nas ruas. A experiência, no entanto, não teve o resultado esperado. Muitos vendedores acabavam abandonando os carrinhos ou desaparecendo com o dinheiro das vendas do dia, o que acabou levando ao encerramento desta iniciativa.

Mesmo assim, a Sorveteria Bacana permanece firme em sua proposta original. Ao longo de mais de cinco décadas, tornou-se um símbolo da tradição gastronômica de Olinda, mantendo viva a combinação de história familiar, criatividade nos sabores e fidelidade à qualidade artesanal que conquistou gerações de clientes.

João Alberto Martins Sobral, editor da coluna João Alberto no Social 1

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