Roberto Pereira: Há 25 anos, a Orquestra Criança Cidadã toca o sonho alado
A Orquestra Criança Cidadã é um admirável projeto social gerido por uma entidade sem fins lucrativos, a Associação Orquestra Criança Cidadã (AOCC)
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Que grupo musical pode honrar tanto um Estado quanto a Orquestra Criança Cidadã?
Para que o amor dos concidadãos se torne motivo de orgulho, é preciso conhecer a sua história: desde a sua gênese até as conquistas Brasil afora e mundo afora.
Escutar os seus acordes, que harmonizam a música à sua obra social e cultural, é um cometimento espiritual que a todos agrada.
A Orquestra Criança Cidadã é um admirável projeto social gerido por uma entidade sem fins lucrativos, a Associação Orquestra Criança Cidadã (AOCC).
A iniciativa foi idealizada, em 2006, pelo juiz de Direito João José Rocha Targino, em parceria com o maestro Cussy de Almeida (1936-2010) e com o desembargador Nildo Nery dos Santos (1934-2018). A partir de então, alcançou projeção nacional e internacional, realizando pelo menos uma apresentação anual no exterior, desde 2013.
O projeto, em prática a começar de 2006, tem como foco, a contar do seu nascedouro, o resgate social de crianças carentes, por meio da música.
Inicialmente, a comunidade escolhida para a atuação social foi o Coque, seu chão-berço – então um dos bairros mais violentos e de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Recife.
A Orquestra Criança Cidadã, vitoriosa a datar da sua criação, foi se consolidando à medida que o tempo traçava a sua trajetória, sempre em espiral ascendente, estando hoje consolidada aos olhos do Brasil e do mundo.
Sedimentada – diga-se bem alto – no cenário cultural pernambucano, completa neste ano, em 25 de julho, 20 anos de inclusão social, por meio da música.
Há duas décadas, são tantas as premiações e láureas, no âmbito nacional e internacional, que, no conjunto da obra, somente podemos enxergar instrumentos libertadores, vida em harmonia e lições magistrais à nossa pernambucanidade.
O projeto atende a mais de quatrocentos jovens, com idade entre 7 e 21 anos, das comunidades do Coque (Recife), do distrito de Camela (Ipojuca) e da zona rural de Igarassu. No total, mais de setecentos alunos já passaram pela Orquestra.
Os alunos matriculados recebem aulas de instrumentos de cordas, sopros ou percussão, além de teoria e percepção musical, solfejo, flauta doce e canto coral.
Não há como não emocionar as plateias, mas também as pessoas que passam a conhecer os pormenores desse projeto exitoso.
Em uníssono, exaltamos: bravo!
O projeto, num esforço permanente em busca de seus meritórios objetivos, conta ainda com apoio pedagógico, atendimento psicológico, médico e odontológico, aulas de inclusão digital, fornecimento de três refeições por dia e fardamento.
Os alunos permanecem no projeto por um período de quatro horas diárias, habitualmente no contraturno escolar.
A Orquestra Criança Cidadã também assegura a profissionalização, por meio da Escola de Formação de Luthier e Archetier (EFLA), onde se ensinam o engenho e a arte da construção e do reparo dos instrumentos de cordas e de seus respectivos arcos, incentivando a economia criativa.
Entre as atividades extracurriculares oferecidas: cursos em parceria com universidades, intercâmbios para a Europa e a América do Norte, direcionados aos alunos de maior destaque.
A Orquestra Criança Cidadã vem, a cada ano, projetando-se cada vez mais como um programa social exemplar, um referencial de Pernambuco para o mundo.
Em seus quase vinte anos de existência, recebeu mais de trinta prêmios, incluindo o Prêmio Caixa Melhores Práticas em Gestão Local, de âmbito nacional.
No cenário internacional, a Organização das Nações Unidas escolheu a Orquestra como uma boa prática de inclusão social, em dezembro de 2010.
E, em 2015, a Orquestra Criança Cidadã tornou-se a primeira escola de música das Américas e a segunda do mundo a integrar o Programa de Escolas Associadas da Unesco.
Merece realce o fato de que, para incentivar a excelência artística, o projeto conta com uma orquestra principal e mais de uma dezena de grupos representativos: trios, quartetos e quintetos de câmara; grupos de sopros, percussão e flautas doces; o núcleo de música popular; além de corais e orquestras de diferentes níveis (infantil, infantojuvenil e juvenil), distribuídos por todos os núcleos da Orquestra Criança Cidadã.
O que dizer de Leigh (James Henry) Hunt, ensaísta inglês, quando asseverou:
“Existem dois mundos: o mundo que podemos medir com régua e compasso e o que sentimos com nosso coração e imaginação.”
A música é a elevação do espírito. Faz pulsar o coração, um outro mundo.
A Orquestra Criança Cidadã, sempre criativa, nos conduz ao sonho alado.
Roberto Pereira – Cadeira 35 – Academia Pernambucana de Letras
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