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Mais que uma Data: A Importância do Dia Internacional da Mulher na Sociedade

As mulheres desempenharam papéis fundamentais na construção da sociedade e no desenvolvimento cultural, econômico, científico e político

Por ROBERTO PEREIRA Publicado em 07/03/2026 às 18:18

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Entre as datas do calendário mundial, destaca-se o Dia Internacional da Mulher, que vai além de celebrações eventuais, oferecendo um momento para refletir sobre direitos humanos, igualdade e justiça social.

Ao longo dos séculos, as mulheres desempenharam papéis fundamentais na construção da sociedade, contribuindo para o desenvolvimento cultural, econômico, científico e político.

O Dia Internacional da Mulher funciona como uma janela para refletir sobre as batalhas travadas ao longo da história, ao mesmo tempo em que instiga a discussão sobre os desafios que ainda precisam ser enfrentados.

Embora seus avanços sejam significativos, a luta por igualdade continua tornando esta data um convite à conscientização e à ação.

A origem do Dia Internacional da Mulher está profundamente ligada aos movimentos trabalhistas e feministas do final do século XIX e início do século XX.

Naquela época, muitas mulheres trabalhavam em condições extremamente precárias nas fábricas, recebendo salários inferiores aos dos homens e enfrentando jornadas intensas e exaustivas.

Em diversos países, mulheres começaram a organizar protestos e greves para reivindicar melhores condições de trabalho, direito ao voto e maior participação nos cenários políticos, culturais e sociais. Esses movimentos foram essenciais para chamar atenção da sociedade e dos governos para a desigualdade de gênero vigente.

Um marco decisivo ocorreu em 1910, durante a Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, quando foi proposta a criação de um dia internacional dedicado à luta das mulheres por direitos e igualdade.

Anos depois, o dia 8 de março passou a ser celebrado em diversos países, como símbolo dessa luta, ganhando musculatura ao longo do século XX e sendo oficialmente reconhecido pelas Nações Unidas em 1975.

Desde então, o Dia Internacional da Mulher tornou-se um evento global, celebrado em diferentes culturas e sociedades, sempre com foco na promoção da igualdade de gênero e na valorização das contribuições das mulheres para a construção de um mundo mais justo.

Nas últimas décadas, as mulheres alcançaram progressos expressivos em várias áreas da sociedade. Direitos hoje considerados naturais, como votar, estudar ou trabalhar em determinadas profissões, são frutos de décadas de mobilização e luta.

O direito ao voto feminino, conquistado gradualmente em diferentes países, representou um passo essencial para a participação política das mulheres, para a consolidação da cidadania e para o fortalecimento da democracia.

No campo da educação, o acesso das mulheres às universidades evoluiu em espiral crescente. Hoje, em muitos países, elas constituem uma parcela significativa dos estudantes do ensino superior, contribuindo para avanços em ciência, administração, economia, matemática, medicina, direito, engenharia e tecnologia.

No mercado de trabalho, embora ainda haja desigualdades, houve progressos notáveis na presença feminina em cargos de liderança e gestão, na criação de leis que protegem trabalhadoras e na ampliação de oportunidades profissionais.

Movimentos sociais e organizações feministas também desempenharam papel crucial na luta contra a violência de gênero, promovendo campanhas de conscientização, apoio às vítimas e mudanças legislativas.

Essas conquistas demonstram que a mobilização coletiva pode transformar realidades e abrir caminhos para uma sociedade mais igualitária.

Apesar dos avanços, muitos desafios permanecem. Em várias partes do mundo, mulheres ainda enfrentam desigualdade salarial, dificuldade de acesso a cargos de liderança e discriminação no ambiente de trabalho. Em média, recebem menos do que os homens em funções equivalentes.

A violência contra a mulher é outro problema grave. Casos de violência doméstica, assédio e feminicídio representam uma realidade preocupante.

No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 19,4% das mulheres com 18 anos ou mais relataram ter sofrido algum tipo de violência psicológica, física ou sexual nos últimos 12 meses.

A Lei Maria da Penha simboliza a força da sociedade em proteger mulheres, garantindo que a violência seja tratada como crime, mas ainda enfrenta barreiras, como desconhecimento ou receio das vítimas em denunciar os seus algozes.

Além disso, em algumas regiões, meninas ainda encontram obstáculos para frequentar a escola, limitando suas oportunidades de desenvolvimento e autonomia.

A desigualdade também se manifesta de forma mais intensa, quando se considera classe social, raça e localização geográfica, afetando especialmente mulheres de grupos historicamente marginalizados.

O Dia Internacional da Mulher é, portanto, não apenas uma data comemorativa, mas um chamado à ação para governos, instituições e sociedade civil, incentivando políticas e iniciativas que promovam equidade e respeito.

Concluo estas reflexões evocando “Maria, Maria”, de Milton Nascimento e Fernando Brant, música que celebra a força, a resistência e a dignidade das mulheres brasileiras:

"Maria, Maria é um dom, uma certa magia / Uma força que nos alerta / Uma mulher que merece viver e amar / Como outra qualquer do planeta."

*Roberto Pereira – Cadeira 35 – Academia Pernambucana de Letras

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