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Use o método, candidato

O momento é oportuno para que candidatos à Presidência e ao Congresso apresentem posições consistentes sobre Defesa e Segurança Nacional.

Por OTÁVIO SANTANA DO RÊGO BARROS Publicado em 14/02/2026 às 0:00 | Atualizado em 14/02/2026 às 20:47

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Caro leitor, durante este Carnaval, espero que você esteja desfrutando o Galo da Madrugada, frevando nas ladeiras de Olinda ou escutando maracatu no Marco Zero.

Contudo, no intervalo entre um passo e outro, queria, aqui de longe, compartilhar contigo um tema que considero essencial neste 2026.

Para alcançar os mais altos postos da hierarquia militar, um oficial estuda, no mínimo, um terço da vida profissional. Trata-se de algo natural em forças armadas profissionais mundo afora.

É um percurso que começa ainda na juventude, no nosso caso na Academia Militar das Agulhas Negras, na Escola Naval ou na Academia da Força Aérea.

Ao longo da carreira, quando não estamos nos adestrando ou em operações, estamos imersos em cursos, leituras clássicas e militares, debates acadêmicos e reflexões estratégicas.

Nesse trajeto, a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército ocupa papel central na formação do oficial superior da força terrestre.

O ingresso não é protocolar. A prova de seleção é exigente. Nela se avalia a capacidade de analisar fenômenos complexos, integrar variáveis e compreender o mundo em sua totalidade.

Entre as referências utilizadas nesse processo está o livro ESPAÇOS GEOGRÁFICOS, de Thiago de Castro, publicado pela BIBLIEx. A obra sistematiza um método de análise que relaciona território, recursos, população, poder político e capacidade de projeção.

Estudos que visem à identificação de desafios e busca de soluções sobre a área militar não são comuns fora dos muros castrenses.

Abre-se aqui uma oportunidade para falarmos das próximas eleições e sobre os planos de governo que já começam a circular.

Defesa e Segurança Nacional, quando mencionadas, surgem de forma lateral, genérica, com profundidade de um palmo d’água ou confundidas com Segurança Pública imediata, o que revela equívoco conceitual.

Quase nada se propõe sobre Política e Estratégia Nacional de Defesa, sobre o poder militar necessário à dissuasão ou sobre a preparação do Estado para crises maiores que exijam o emprego das Forças Armadas. Defesa Nacional é tema inconveniente.

Mas o mundo de Poliana, defendido por Fukuyama, não existe mais. A guerra retornou em força ao tabuleiro internacional. A ONU, na UTI e sobrevivendo por aparelhos, é incapaz de resolver conflitos.

A invasão da Ucrânia levou a guerra ao coração da Europa. O Oriente Médio permanece instável. O Indo-Pacífico tornou-se palco de disputas entre grandes potências. A América do Sul passou a ser área de interesse extrarregional. Países historicamente pacifistas, como Alemanha, Japão e Suécia, revisaram políticas e ampliaram seus orçamentos militares.

Pensar a Defesa e Segurança Nacional, neste mundo de relações coercitivas, é responsabilidade indeclinável do condottiere.

Por isso, o momento é oportuno para que candidatos à Presidência e ao Congresso apresentem posições consistentes sobre Defesa e Segurança Nacional. Não slogans, mas propostas. Não improvisos, mas reflexões.

A título de informação, a China vem produzindo o equivalente em meios navais a “uma marinha francesa” por ano. Isso mesmo! Não é jogo para amadores.

Algumas perguntas impõem-se a esses candidatos:

- Qual é sua posição quanto à elevação do orçamento de Defesa ao patamar de 2% do PIB, considerando que o mundo ampliou exponencialmente seus investimentos militares nos últimos anos para contrapor-se às incertezas e antagonismos?

- Como você concebe a diplomacia militar e a formação de coalizões estratégicas, preservando a autonomia decisória do Brasil e evitando alinhamentos automáticos às grandes potências?

- De que maneira pretende despertar interesse político e induzir ações concretas para a proteção das fronteiras, em uma América do Sul porosa a crimes transacionais e agora alvo de cobiça de potências d’além mar?

- Quais diretrizes adotará para fortalecer a Base Industrial de Defesa, diante da nossa obsolescência bélica, de estoques escassos no mercado internacional, cadeias produtivas frágeis e tecnologias que evoluem em ritmo acelerado, difícil de acompanhar?

- Quais projetos estratégicos das Forças Armadas contam com seu apoio e como pretende integrá-los em uma visão interforças e, ao mesmo tempo, sinérgica entre os campos do poder?

- Como avalia a evolução do Ministério da Defesa e o seu papel atual na condução política, estratégica, operacional e logística das Forças Armadas?

Compreender o poder militar e aplicá-lo é obrigação de quem serve fardado ao Estado. Definir linhas de ação e prover os meios para cumprir a missão é compromisso de quem serve sem farda ao Estado.

A questão está posta. Use o método, candidato.

Otávio Santana do Rêgo barros, general de Divisão da Reserva

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